27 de janeiro de 2010

Divagando sobre argumentos...

"...Tudo o que o homem faz tem de o fazer primeiro no seu espírito, e o mecanismo subjacente ao espírito é o cérebro. Não pode haver acção sem um mecanismo subjacente, e um mecanismo só pode fazer o que a sua estrutura lhe permite que faça. Uma vaca nunca poderia pôr um ovo, por muito que tentasse; um gira-discos não poderia escrever uma carta, nem uma máquina de escrever poderia tocar música. Também o homem só pode fazer o que o seu cérebro lhe permite que faça.
....É um órgão de sobrevivência.


A actividade humana é motivada pela necessidade ou pelo desejo, e o cérebro é o instrumento da satisfação humana.


Nas sociedades primitivas, o cérebro deve ter-se limitado a isso. Nas sociedades mais sofisticadas, o cérebro adquiriu uma segunda função: encontrar argumentos, na maioria pomposos e bem soantes, para justificar actos ou desejos. Isso faz o nosso cérebro tão rapidamente que até acreditamos que os nossos actos são realmente motivados por esses argumentos.


Ao falar de argumentos, há um ponto que deve ficar bem claro: eles não têm verdadeiro significado. Consistem em palavras, e as palavras podem ser alinhadas de muitas formas.

Todos conhecemos o passatempo favorito de Sócrates:
"Diz-me qualquer coisa, e eu provarei que é falso; depois diz-me o contrário, e eu provarei que é falso também."

Albert Szent-Gyorgyi
in O Macaco Louco
.

27 comentários:

São disse...

Enfim, lá consegui abrir ...

Interessante, mas talvez não concorde de todo..

Beijinhos, linda.

Pata Negra disse...

Por um momento assustei-me com a citação, só depois me lembrei que há outro Sócrates.
Um abraço com argumentos

Agulheta disse...

Meg. E muito bem como disse "Pata Negra" no princípio confundi,depois vi que era engano?Tem algumas coisas que sim outras nem por isso.
Beijinho Lisa

Zé Povinho disse...

A dialética é interessante, e "os argumentos" podem ser ou não ser sinceros consoante as situações e os indivíduos.
Abraço do Zé

BAR DO BARDO disse...

Deu-me um nó gris.

Meg disse...

São,

Parece que estou outra vez com problemas com as entradas no blog. pelo que dizes.
Vou ver o que posso fazer.

São, eu, como tu, divagando também me questiono. E muito.

Um beijinho

Meg disse...

Pata Negra,

Mas assustado assim, não ganhas eleições!
Mas eu compreendo-te e não preciso de argumentos.

Um grande abraço

Meg disse...

Lisa,

Parece que vamos estando de acordo.
Como eu tudo, no meio em que está a virtude.

Beijinho para ti

Meg disse...

Amigo Zé,

Pois é isso mesmo, depende da sinceridade dos argumentos.

Um abraço

Meg disse...

Henrique,

Um nó gris...!
Não era minha intenção, rsrsrsr...

Um abraço

Chris disse...

Pois, Sócrates...
a argumentação...
Gostei de te ler.
Um beijo
Chris

Sofá Amarelo disse...

Por isso nunca chegaremos a saber a verdadeira missão do Homem na Terra. Os animais nascem, crescem e morrem, não deixam passado para contar... quanto ao Homem é tudo tão estranho... Será que vale a pena isto tudo ou melhor seria que não passássemos da pré-história?

Ana Tapadas disse...

Meg:
Grandes verdades, como de costume. Concordo, especialmente, com este Sócrates, porque as palavras/os argumentos são apenas isso - «Consistem em palavras, e as palavras podem ser alinhadas de muitas formas.»
Beijo

Peter disse...

Não conheço, nem o autor nem a obra.
Tenho andado pelo Facebook Farmville. Desististe?

Só uma pequena observação a respeito de um comentário, que não é teu:
- quando por vezes transcrevo um texto de um comentador político, faço-o não por causa da côr política dele, que muitas vezes ignoro, mas porque o mesmo exprime as preocupações que me atormentam no dia-a-dia.

Bom fds com menos frio.

ParadoXos disse...

não conheço autor. mas o pensamento está lá!

grato pela partilha.


beijos

Meg disse...

Chris,

Seja muito bem vinda a este espaço.Espero que se sinta bem por aqui.
Agradeço as palavras e logo, logo, retribuirei a visita.

Um abraço

Meg disse...

Ana,

E de falsos argumentos vamos ficando cheios.

Bom fim de semana.

Beijo

Meg disse...

Peter,

Estás na mesma situação que eu, que utilizo as palavras dos outros para dizer o que acho justo, sem olhar a cores.
Quanto à Farm... tens de me explicar como aquilo funciona... não consigi atinar.

Um abraço

Meg disse...

Sofá Amarelo,

Não, não, a pré-História também não! Embora pareça que para lá caminhamos.

Beijinho

Meg disse...

ParadoXos,

Eduardo, gostei de te voltar a ver por cá.
Vale a pena ler o Macaco Louco, se puderes.

Um abraço

Bipede Implume disse...

Querida Meg
Não conhecia o autor e ...contra factos não há argumentos, não é assim que se diz.
Bom fim de semana. Eu continuo à espera de um bom bocado de sol.
Beijinhos.
Isabel

Maria João disse...

Meg

Não há duvida que a argumentação se constrói pelo alinhamento das palavras, podendo este ser bem variado. Ou não se verificaria, tanta vez , que uma mesma realidade sofre argumentações tão diversas que mais parecem situações antagónicas. Mas a argumentação reflecte sempre, não só o pensamento e o conhecimento, mas também a vontade, a intenção velada ou revelada de cada um. Tudo construção do cérebro esse magnífico instrumento de satisfação humana.
Impossível dizer, se por bem ou por mal... acho que inevitavelmente, pelas duas coisas e porque, na verdade, somos assim!

Um beijinho grande

padeirinha disse...

Temos de ser apenas nós próprios.Verdadeiros. Mas pode acontecer perante uma surpresa da vida ou adversidade, que o deixemos de ser e venhamos a descobrir em nós, mesmo que temporáriamente, uma nova e desconhecida personalidade. Complexo como todo o cérebro humano o é.

Meg disse...

Isabel,

Hoje estou completamente "para baixo"... não há argumentos para esta saturação, para esta impotência perante algumas injustiças que tocam os que nos estão mais perto, minha amiga.
E por aqui o sol também se tem feito caro.

Tem uma boa semana.

Beijo

Meg disse...

Maria João,

Tantas vezes por mal, é a realidade!
Mas, como dizes... somos assim!

Boa semana

Beijinho para ti

Meg disse...

Padeirinha,

Cada vez mais complexo, o nosso cérebro,é verdade.

Um abraço e boa semana

vbm disse...

É verdade que o cérebro é um orgão de "sobrevivência" e que dele não pode vir à luz o que de todo não corresponde à sua natureza.

Porém, um bom cortex cerebral exercita-se na argumentação do falso e do verdadeiro muito para lá do que interesse ou não à sobrevivência, que mais não fosse por mero divertimento abstracto.

Já sobre o demonstrar que algo é verdadeiro e que também é falso dá para de imediato inferir, por redução ao absurdo, que a ideia de que se parte não é verdadeira por dela se deduzir a contradição de que é e não é! :)

Agora, que argumentar, falar, pensar, não é agir, estamos de acordo. Até porque falar pode ser ou não dizer o que é, mas agir é sempre intervir no que há e no que é.

abraço,
v.