18 de dezembro de 2010

FESTAS FELIZES!

A TODOS ... 
FESTAS MUITO FELIZES

Chegou forte... e venceu!


ATÉ PARA O ANO!

Recalcitrante... Meg... Myself...
abraça-vos... com o coração.

17 de dezembro de 2010

a casa da minha infância (para luis nassif)

Há já algum tempo que guardava este poema...
para vos oferecer  no Natal.

Para o  Romério, um grande Amigo deste blog, sempre atento nos "bastidores",
vai todo o meu carinho pela amizade ao longo destes anos.

                                            


1.
a casa da minha infância
nunca foi casa qualquer
tem mocinho, tem bandido
uns cantos cheio de medo
uns estados de martírio
medos de deus que se mostram
umas velas choradeiras
da vida que se ilumina
nos seus olhares já mortos
da minha casa vazia.
o pai e a mãe são momentos
de estender as mãos e ver
que certas artes das coisas
se fizeram por inteiro.
quanto de mim vejo agora?
quanto de cada manhã
eu vivi, torridamente.
sem saber, naquela casa
me carrego como um todo.
outros olhos, mais lavrados,
finco no tempo e meu corpo
se perde num tempo oco
quando a mão se esvai, somente
a encontrar cada noite
onde o gosto da lembrança
é um santo protetor
onde um pássaro de fogo
me revelou quem sou eu.

2.
quanto de água ainda bebo
desta casa, destes quartos
se tudo se sabe em mim
em trapos que são do tempo.
a casa sobrou num canto
da memória destilada
do vinho desengonçado
que fala de mim em tudo.

3.
as pedras que me sobraram
os muros que me pariram
todos eles guardei, todos
no meu corpo permanente.

4.
a dicção da paisagem
chega inerte
toda a sonoridade
verte, verte.

romério rômulo

15 de dezembro de 2010

Portugal... por Neruda



Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas de Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al ciclo de la luz tú que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?

Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telaranãs
que cubren tu fragrante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llégó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.

Pablo Neruda


«««o»»»

Porque em  alguns blogs, o endereço remete para posts antigos,
aqui lhes deixo o endereço da Meg...
Myself
http://os-meus-devaneios.blogspot.com/

Só espero que resulte... obrigada a todos
pela paciência!



11 de dezembro de 2010

em branco




...Em mim,

caem-me lágrimas nos dedos

e seca o musgo, no sal

sem vontade de natal!

[Maria João]

*****

Excerto tirado daqui...

7 de dezembro de 2010

...À CORJA





Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado, excelências.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.

Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.


Joaquim Pessoa

6 de dezembro de 2010

Congresso Internacional do Medo















Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo depois da morte
depois morreremos de medo
e sobre os nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade
( Amar-Amaro)