6 de dezembro de 2010

Congresso Internacional do Medo















Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo depois da morte
depois morreremos de medo
e sobre os nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade
( Amar-Amaro)


2 comentários:

Nelson Souzza disse...

Muito bom o seu blog. Essa passagem dos versos de Drummond foi uma excelente escolha. Sucesso!
http://nelsonsouzza.blogspot.com

DECIO BETTENCOURT MATEUS disse...

Um kandandu Meg. E congratulo-me deveras com o teu regresso. Com certeza por cá estarei presença constante.