23 de abril de 2009

Qual a cor da liberdade?


Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Quase, quase cinquenta anos reinaram neste país, e conta de tantos danos, de tantos crimes e enganos, chegava até à raíz.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Tantos morreram sem ver o dia do despertar! Tantos sem poder saber com que letras escrever, com que palavras gritar!
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Essa paz de cemitério toda prisão ou censura. e o poder feito galdério, sem limite e sem cautério, todo embófia e sinecura.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Esses ricos sem vergonha, esses pobres sem futuro, essa emigração medonha, e a tristeza uma peçonha envenenando o ar puro.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Essas guerra de além-mar gastando as armas e a gente, esse morrer e matar sem sinal de se acabar por política demente.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Esse perder-se no mundo o nome de Portugal, essa amargura sem fundo, só miséria sem segundo, só desespero fatal.
. .Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Quase, quase cinquenta anos durou esta eternidade, numa sombra de gusanos e em negócios de ciganos, entre mentira e maldade.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
. Saem tanques para a rua, sai o povo logo atrás: estala enfim, altiva e nua, com força que não recua, a verdade mais veraz.
. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
Jorge de Sena, 1974
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60 comentários:

São disse...

Parabéns, parabéns por trazeres aqui este estupendo poema de Sena!
Abril, sempre!
Um abraço, companheira.

Menina do Rio disse...

Um belo poema Meg.

Deixo um beijo pra ti

Alexa disse...

Querida Meg
e verde de esterançá e vermelha do sangue que poela o derramaram

Abril sempre
amiga

Agulheta disse...

Meg. É neste cantar em poesia e liberdade,que sempre direi Abril,verde,verde e vermelho,sempre aqui e agora.
Beijinho de amizade

Maria disse...

Obrigado pelo belo poema de Jorge de Sena.
A liberdade, sendo verde e vermelha, é de todas as cores, não fosse o céu azul e o sol amarelo...

Um beijo, Meg.
E um cravo, este sim, Vermelho!

Zé Povinho disse...

Verde rubra, com toda a certeza!
Abraço do Zé

Carminda Pinho disse...

A cor da Liberdade, são as cores do arco-íris.

Lindo o poema de Jorge de Sena,
deixa-me com os olhos brilhantes, a sua clareza.
Bonita a imagem que escolheste para ilustrar o post.

Beijinhos, Meg.

Maria Faia disse...

Querida Amiga,

Este poema do Jorge de Sena transportou-me para alguns anos atrás, num dia de festa de Abril, talvez o mais feliz dia de Abril depois do da libertação de 74.
Lindo momento vivi outrora como agora, calcorreando as palavras do passado para o presente.
Lindo Amiga.

Deixo-te um beijo com sabor a Liberdade,

Maria Faia

Sonia Schmorantz disse...

Qual a cor da liberdade? Também não sei, mas sei que este poema é maravilhoso...
beijo

Meg disse...

São,

É preciso repensar abril, minha amiga.

Um abraço

Meg disse...

Menina do Rio,

Jorge de Sena era um dos nossos poetas maiores.

Um beijo

Meg disse...

Alexa,

E foi tanto o sangue derramado!

Um abraço

Meg disse...

Lisa,

E neste momento em especial, precisamos de pensar Abril.

Um beijo

Meg disse...

Maria,

Verde e vermelha, mas também de todas as cores... a liberdade é como o arco-íris.

Um beijo

Meg disse...

Zé Povinho,

Sem dúvida, sabemos nós.

Um abraço

Meg disse...

Carminda,

Coincidimos no arco-íris também.
É da cor que nós a quisermos.

Beijo grande

Meg disse...

Maria Faia,

Acho que este ano, o 25 de Abril tem um significado reforçado... impõe-se a sua comemoração, mais que nunca, Amiga.

Um beijo

Meg disse...

Sónia,

Nós sabemos a cor da liberdade e muitos ainda se lembram da falta dela.
E Jorge de Sena é um dos grandes poetas.

Um abraço

Vieira Calado disse...

A cor da liberdade só pode ser de todas as cores do arco-íris.

Beijinhos

utopia das palavras disse...

Bem vindo Jorge de Sena!
A liberdade é essencialmente...colorida! De sangue, suor, dor e incondicional...amor!

Um cravo para ti, Meg
Beijo

MPS disse...

A liberdade é da cor do nosso olhar. Hei-de morrer a olhá-la!

Um grande abraço

Mariazita disse...

Jorge de Sena retrata aqui com toda a clareza e verdade o "antes" da liberdade.
"Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura.
e o poder feito galdério,
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura."
Era a paz podre que se vivia.
Mas, no final "saem tanques para a rua, sai o povo logo atrás" !
Muito forte, este belo poema.
Muito boa a ideia de o partilhares.

Uma noite feliz

Beijinhos
Mariazinha

PS - AMANHÃ, APESAR DE NÃO SER DOMINGO, VOU PUBLICAR, NA "CASA", UM POST ALUSIVO AO 25 DE ABRIL, DE QUE CONSTA, ENTRE OUTROS, UM POEMA DO HUMBERTO-POETA.

Pata Negra disse...

Viver sempre com esperança dum Abril e morrer sem o ver - quantos não terão pensado nesse dia "que pena não estares vivo, amigo!".

Mas é também triste ter crescido a ver Abril esmorecer-se, sem esperança de outro Abril a ouvir um povo inteiro, resignado, a dizer que não há alternativa! Trágico: entre 10 milhões de almas, há apenas duas que são solução!
Um abraço em estado de não-poesia em dia que me estou nas tintas para a grámática e para a ortografia

Bipede Implume disse...

Um belo poema de um dos meus poetas preferidos.
A Liberdade, um bem supremo que nunca devemos esquecer. É um legado de Abril.
Feliz 25 de Abril.
Beijinhos.

anamarta disse...

Meg
Este poema transportou-me para aquele dia memor+avel que foi o dia 25 abril de 74,já lá vão 35 anos, é verdade, mas conservamos esse dia na memória, pois as peripécias foram muitas, aliadas a alguns perigos, mas valeu bem a pena esse dia cheio de emoções que restituiu a liberdade e a alegria a um povo, bem carente delas.

Deixo-te um abraço com cheirinho a Abril

Maria Faia disse...

Querida Amiga,

Venho desejar-te um feliz dia da Liberdade Que as comemorações sejam vivas e significantes e a Liberdade não se perca no horizonte.

Um abraço amigo,

Maria Faia

Nydia Bonetti disse...

Verde e vermelho: cores da esperança e dos amores. Também cores da liberdade. Repensar abril: é preciso.
Beijo, Meg.

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana

Meus votos de um excelente final de semana, junto
às pessoas que ama.
Um abraço do amigo

Eduardo Poisl

Meg disse...

Vieira Calado,

Também estou de acordo contigo.

Um cravo, mas vermelho, num abraço

Meg disse...

Utopia das Palavras

Ausenda,

Pena que tenha sido fruto de tanta dor e tanto sangue...

Também para ti, um cravo.

Um abraço

Meg disse...

Cara MPS,

E o nosso olhar pode ter todas as cores da paleta da vida.
Façamos tudo para não perder a Liberdade.

Uma braçada de cravos vermelhos, para ti.

Um abraço

Meg disse...

Mariazita,

Jorge de Sena foi mais um dos muitos poetas que ao 25 de Abril dedicaram alguns dos mais belos poemas.
É altura de recordá-los, hoje mais que nunca.

Cravos para ti, com um beijo

Meg disse...

Mariazita,

Voltei para te dizer, que depois demaisum dia de trabalho -hoje - irei visitar-te e ler o Humberto-Poeta.

Beijo

Meg disse...

Amigo Pata Negra,



...Mas é também triste ter crescido a ver Abril esmorecer-se, sem esperança de outro Abril a ouvir um povo inteiro, resignado, a dizer que não há alternativa!...

E é com este espírito que este ano comemoramos mais um ano sobre o 25 de Abril, meu amigo!

Um cravo para ti também, num abraço

Meg disse...

Isabel,

É um bem que esperamos não voltar a perder, minha amiga.
Mas os tempos são de alerta.

Um cravo vermelho para ti.

Um beijo

Meg disse...

Anamarta,

O cheirinho de Abril tem vindo a desvanecer-se, minha amiga, por isso temos de recordar, cada vez com mais empenho, os que imortalizaram Abril nas suas palavras. E Jorge de Sena foi um deles.

Um abraço e um cravo vermelho

Meg disse...

Maria Faia,

O meu 25 de Abril será passado a trabalhar, o que hoje em dia é um previlégio... muitos o desejariam passar assim.

Uma braçada de cravos para ti.

Um beijo, Maria

Meg disse...

Nydia,

Este é o nosso dia da Liberdade, minha amiga, e temos de fazer tudo para que ela seja mantida.
Por isso clamamos por Abril.

Um beijo

Meg disse...

Uma Página Para Dois,

Eduardo,

Gosto muito de Mário Quintana, um grande poeta da língua portuguesa.
Muito obrigada, e um bom fim de semana.

Um abraço

Moacy Cirne disse...

Qual a cor da liberdade?
25 de abril...
Qual a cor da esperança?
25 de abril...
Qual a cor de Portugal?
25 de abril...

Marco Ferreira disse...

Bom fim de semana.

Abraço

marinheiroaguadoce a navegar

Papoila disse...

Querida Meg:
Excelente este poema de Jorge de Sena!
Deixo-te cravos neste Abril verde e vermelho aqui cantado.
Beijos

mjf disse...

Olá!
Lindo este poema :=)
Obrigada por o relembrares.

Beijocas
Um cavo vermelho para ti

Mar Arável disse...

25 de Abril

de novo

Meg disse...

Caro Moacy,

A Esperança tornou-se Realidade em Liberdade num 25 de Abril cada vez mais...longe.

Um abraço amigo

Meg disse...

Marco,

Um bom fim de semana para ti também, com muitos cravos.

Um abraço

Meg disse...

Querida Papoila,

Não deixemos esquecer os poetas de Abril.

Um beijo

Meg disse...

Mjf

É o mínimo que posso fazer, minha amiga.
Cravos para ti também.

Um abraço

Meg disse...

Mar Arável,

É verdade... DE NOVO, meu caro amigo.

Um abraço

Peter disse...

O que resta do 25 de Abril?

Poemas, só poemas, tudo o resto tem desaparecido aos poucos...

bettips disse...

Eu sei, Meggy. Mas a mim também se me arrepia a alma, pelo que sei, pelos acenos de amigos que sei.
Com o cravo e o poema, não fiques para traz ó companheira.
Beijo a ti, minha amiga de tão longínquas paragens!

Amaral disse...

Meg
Que Abril não se fique pelas palavras.
Acho que é necessário fazer mais.
Abraço

Mariazita disse...

Meg
Obrigada pela apreciação aos poemas - não são da minha autoria,(infelizmente) foram-me enviados pelos autores, mas o orgulho de os ter publicado é meu :)))

Tens toda a razão, o 25 de Abril não se esgota em poemas.
Cada vez mais é necessário relembrar os seus ideais, os seus valores, as suas intenções, que andam a ser muito desprezados.

Um bom domingo e um beijinho de boa noite.
Mariazita

Meg disse...

Peter,

Restam os poemas e uma boa dose de amargura e pessimismo.

Um abraço

Meg disse...

Bettips,

Para trás... NUNCA!
Mas com o coração nas mãos.

Um beijo

Meg disse...

Amigo Amaral,

Basta olharmos à nossa volta.
Tanto a fazer, a corrigir.

Um abraço

Meg disse...

Mariazita,

Temos de continuar à procura, minha Amiga. Não podemos baixar os braços.

Um beijo

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Jorge de Sena, magistral!!!

Obrigado.

Meg disse...

Amigo Namibiano,

Um poeta esquecido no 25 de Abril.

Um abraço

De Amor e de Terra disse...

Olá Meg, boa tarde linda.
Obrigada por nos trazeres Jorge de Sena e este Poema tão belo.
Quanto a mim, a liberdade para além de ser verde e vermelha, tal como ele diz, tem realmente de ter todas as cores, todas, inclusivamente a do amor e a da poesia.
Beijos

Maria Mamede