27 de abril de 2009

Per Augusto & Machina

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Hoje, trago-vos, em antecipação, quatro poemas do amigo e grande poeta,
Romério Rómulo, que constam do livro "Per Augusto & Machina",
a chegar muito em breve às nossas mãos, pela editora Altana
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de quantas nuvens se faz uma loucura? é construída a mão que bate o prego? as estações do corpo só revelam o hábito eloqüente do delírio. que nos corroa a pedra, o visgo louco da agonia! desmonte do tamanho, o extirpado dente, gengiva em sangue são a mesma face do hábito terrível de ser homem. quanta eloqüência travada no meu olho! . (uma bravura regenera a noite) .
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a vaga decisão de ser meu corpo
o elo de teu ventre com a terra.
devo extirpar o gesto adquirido
num, por somenos, ato reticente
de ver distância de mim ser teu intent
eu tenho que arrancar da tua nuca
quando as valas mostrarem nosso rumo
quando as formigas resvalarem atos
de um só ser em nós se validar
vou te mostrar a minha mão candente
meu corpo todo ele enluarado
e o meu dente podre de manhã.
há de sobrar de nós-o quê? –só torpes
rasgos de vento no olho do tufão.
a pura pedra me diz:
quando fui homem?
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(arrancar da tua nuca)
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. . meu corpo traz uma equação de nuvem.
pobres resgatados, desmorados, osso e braço
rezam no ar de penitência suas águas.
proprietários do sobrado, pouco lhes resta.
de tempo, arreganham dentes de uma fome sólida.
ralos de feijão, seus corpos sabem o horizonte da terra.
escaldados, cândidos, um sopro.
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(cândidos, um sopro)
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o meu pecado é válido, se podre
arranca luzes da cidade alta.
qualquer amante a noite se refaz
deixando a güela ressarcir desejos.
quando mães, estacas, se filiam
às quadras do delírio permanente?
se, à noite, piso infernos e bordéis
é que um destino vago me repisa.
somos filhotes desta dor e medo.
somos filiados à mazela rústica.
quanto de podridão varreu-me sempre
se só o acaso dedilha meus olhares?
sou vil filhote desta dor e medo.
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(todo sertão é um caldo de tortura)
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Romério Rómulo
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. ROMÉRIO RÓMULO...no Café Literário
"O Novidades & Velharias, reintroduzindo o quadro de entrevistas intitulado “café literário[1]”, contará com a presença do poeta mineiro Romério Rômulo para debater questões relacionadas aos seus horizontes de criação, preferências e concepções literárias e alguns elementos perceptíveis em seu novo livro de poesia, intitulado Per Augusto e Machina. (...)"Hercília Fernandes
«««o»»»
A propósito da entrevista acima anunciada, Romério Rómulo, deixou-me um convite que é dirigido também a todos os amigos do Recalcitrante, e que passo a transcrever...
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meg :
uma notícia.
a professora hercília fernandes,da universidade federal do rio grande do norte,brasil
(ela é conterrânea do moacy cirne),fez uma longa entrevista comigo,e disponibilizou

deixo o meu convite à leitura da matéria a todos os amigos do blog

um beijo.
romério


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Obrigada, Romério!
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Já li a extensa entrevista e confesso que me surpreendeu... fiquei a conhecer muito melhor o Homem e o Poeta ...o seu trabalho, a sua obra e o novo livro de poesia.
Recomendo-a vivamente... a todos.
Bem haja, Hercília Fernandes!

32 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

MEG

Romério Romulo é sem dúvida um grande poeta. Um poeta acutilante, de imagens fortes que nos deixa a pensar.
A entrevista demonstra o ser profundo que rompe a superfície.

Vou visitar o link que indicas e aguardo a chegada do livro.

Abraço

Moacy Cirne disse...

Romério merece ser homenageado por todos nós. Grande poeta, grande figura humana...

Beijos & abraços. E cheiros.

Amaral disse...

Meg
Pela amostra parece ser um livro que granjeará um futuro auspicioso.


Gostei em particular do último.Boa semana. Abraço

Peter disse...

Meg

Não sou entendido em poesia, prefiro a prosa, por isso limito-me a dizer, sem fazer crítica literária, se gosto, ou não gosto e não fiquei "freguês" do Rómulo.

Boa semana

Nydia Bonetti disse...

É mesmo uma beleza a poesia de RR, Meg.
Beijos.

Meg disse...

SILÊNCIO CULPADO

Lídia,

Não deixes de ler a entrevista... vale a pena e o tempo.

Um abraço

Meg disse...

Caro Moacy,

Se você o conhece tão melhor que eu, inclusivé pessoalmente, só tenho de ficar feliz com a sua opinião.

Um cheiro, meu amigo!

Meg disse...

Caro Amaral,

Ainda bem que gostaste... e não deixes de ler a entrevista, se puderes.

Um abraço

Meg disse...

Peter,

E estás no teu pleno direito, a mim também ninguém me obriga a gostar da Florbela Espanca...
E quanto a perceber de poesia, és como eu, gosto ou não... do resto não entendo quase nada.
E do RR, gosto evidentemente.

Um abraço

Meg disse...

Nydia,

Sei que és uma apreciadora incondicional da poesia de RR.
Obrigada, minha amiga.

Beijos

Vieira Calado disse...

Obrigado pela partilha.

Beijinhosss

O Guardião disse...

Já tinha aqui lido pedaços da prosa deste autor, que me pareceu forte de convicções e no uso do verbo, ou não seja ele um mineiro.
Vou à entrevista que me aguçou a curiosidade.
Cumps

Maria Faia disse...

Querida Amiga,
Todas as obras que tens apresentado de Romério Romulo me têm deliciado. Esta não é excepção...
Mas, a entrevista, que dizes ser longa, aguçou-me a curiosidade de melhor conhecer o poeta. Lá irei eu...

Um beijo amigo,
Maria Faia

Fatima disse...

Olá Meg!
Depois que comecei a ler poesia nos blog que vou conhecendo, fico cada dia mais apaixonada pela nossa língua.
Apareça no meu blog, não é de poesia, mas vai ser um prazer receber vc.
Abrs.

Meg disse...

Vieira Calado,

Eu é que agradeço a tua visita... como vês este não é um post "fácil"...

Um abraço

Meg disse...

Guardião,

Pois tu sabes que Romério Rómulo não é uma novidade aqui.
Espero que gostes da entrevista.

Um abraço

Meg disse...

Maria Faia,

Julgo que é nesta entrevista que o Poeta mais se deixa conhecer... sei que vais gostar.

Um abraço

Meg disse...

Fátima,

Seja benvinda a este espaço, será sempre bem recebida.
Logo que possa irei fazer-lhe uma visita, claro.
Muito obrigada.

Um abraço

Decio Bettencourt Mateus disse...

"de quantas nuvens se faz uma loucura?"

Pois é, o normal é conhecermos os grandes talentos e executantes à distância ou depois de partirem. Mas não é o caso, felizmente. Concerteza RR, nestes poemas, consegue levar-nos a agradáveis delírios imaginativos, como assim:

"de quantas nuvens se faz uma loucura?"

Filoxera disse...

Venho deixar um beijo. É tudo que posso, quando o acesso à net é limitado...
Até breve, espero.

Bipede Implume disse...

Por acaso já tinha lido a entrevista que também aconselho.
Ficamos a conhecer o Homem, para além do poeta.
Um ser fascinante como a sua poesia.
Beijnhos amiga.

Meg disse...

Caro Décio,

Como dizia Vinicios, tal como os amigos, os poetas também se reconhecem.

Um abraço para si

Meg disse...

Filoxera,

Sei o que isso é, minha amiga... e foi há bem pouco tempo.

Agora o meu acesso à net também está reduzido mas por excesso de trabalho, até passar este próximo fim de semana.

Um beijo

ps: Parabéns pelo 2º aniversário!

Meg disse...

Isabel,

A entrevista está agora também no blog Romério.
É realmente a não perder.

Um beijo

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Querida Meg
É obrigatório divulgar as novas poéticas!!! Obrigado a vc e todos os que no quotidiano da vida nos apresentam novos caminhos de poesia.
Bjs

Nota: se me permitir copiarei o seu poste integralmente para o meu Cores & Palavras, obrigado!!

Maria Clarinda disse...

Adorei a entrevista...Adorei os poemas.
Obrigada pela partilha, Meg.
Jinhos mil

utopia das palavras disse...

Já tinha lido alguma coisa de Romério Romulo que me impressionou, na realidade é uma poesia forte, vincada, sinto-a até visceral. Gosto!
Fiquei curiosa...!

Beijo

Meg disse...

Caro Namibiano,

Origada pelas suas palavras.
E claro que o post é seu.

Um abraço

Meg disse...

Maria Clarinda,

Fico feliz por teres gostado e o deixares registado aqui.

Um beijo

Meg disse...

Utopia das palavras,

Ausenda,

É realmente uma poesia poderosa...também na minha modesta opinião.

Um abraço

C Valente disse...

Passei rapidamente para agradecer e mandar um abraço.
As obras continuam e cada vez o cerco aperta mais, vamos aguentando
Saudações amigas

Meg disse...

Amigo Valente,

Obrigada pela visita e espero que regresse em breve.

Um abraço