20 de abril de 2009

Perguntas


Gustave Courbet Onde estavas tu quando fiz vinte anos, e tinha uma boca de anjo pálido? Em que sítio estavas quando o Che foi estampado nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América? Em que covil ou gruta esconderam as suas armas para com elas fazer posters cinzentos e emblemas? Onde te encontravas quando lançaram mão a isto? E atrás de quê te ocultavas quando mataram Luther King para justificar sei lá que agressões ao mesmo tempo que víamos Música no Coração mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes? Por onde andavas que não viste os corações brancos retalhados na Coreia e no Vietname nem ouviste nenhuma das canções do Bob Dylan virando também as costas quando arrasaram Wiriamu e enterraram vivas mulheres e crianças em nome de uma pátria una e indivisível? Que caminho escolheram os teus passos no momento em que foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul ou Allende terminou o seu último discurso? Ainda estavas presente quando Victor Jara pronunciou as últimas palavras? E nem uma vez por acaso assististe às chacinas do Esquadrão da Morte? Fugiste de Dachau e Estalinegrado? Não puseste os pés em Auschwitz? Que diabo andaste a fazer o tempo todo Que ninguém te encontrou em lugar algum? Joaquim Pessoa in Os Dias da Serpente .
. «««o»»»
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. .

57 comentários:

Menina do Rio disse...

Taí uma pergunta que faço sempre!

Tem uma boa semana Meg.
Beijos

Maria Faia disse...

Querida Amiga,

Quantas vezes nos perguntamos, a nós próprios, onde estavas tu?... e, também não raras vezes ´queles que se dizem, ou disseram um dia, nossos amigos - onde estavas tu?
Na verdade, é nos momentos difícieis da nossa caminhada pela vida que precisamos de ver e sentir mais intensamente aqueles que amamos junto de nós.
Quando a serpente descobre o nosso ninho (e ela vem na maioria das vezes vestida de vestes doces e brilhantes...) transforma a nossa vida e, com amor, amizade e solidariedade que ganhamos forças para retomar a viagem nestes dias desgraçados.
Linda postagem a tua...
Obrigado pela partilha.

Recebe um beijo amigo, com votos de uma semana feliz,

Maria Faia

Chanesco disse...

Pergunta que devia merecer resposta pronta por parte de cada um dos anda à voltas com "a origem do mundo"!

Um Abraço

Carminda Pinho disse...

Tantas, e tão importantes perguntas.
Sim, onde andava ele(a)?
Nós estivemos sempre aqui, e continuaremos...

Coubert era muito bonito.:)

Beijos

Nydia Bonetti disse...

Não conhecia este poema, Meg. Toca fundo e faz pensar.
E este Coubert... é mesmo uma beleza.
Boa semana!
beijo.

Maria disse...

Joaquim Pessoa sempre no seu melhor. E este poema já tem anos...
Obrigada, Meg.

Um beijo

LUA DE LOBOS disse...

arrepiante porque dá voz às nossas mais terríveis e dolorosas interrogações...
xi
maria de são pedro

Meg disse...

Menina do Rio,

Quase todos a fazemos, querida amiga... e sem resposta.

Boa semana para ti também.

Beijo

Meg disse...

Maria Faia,

Os pseudo amigos que ficaram pelo caminho, que não estiveram lá, nós sabemos que não merecem sequer um momento da nossa atenção.
Dediquemo-nos aos outros, aos verdadeiros, que a vida continua, minha amiga.

Um beijo

Meg disse...

Querido Chanesvo,

Ora eu penso o mesmo que tu...
A origem do mundo e o sexo dos anjos...

Um abraço

Meg disse...

Carminda,

Nós continuamos aqui... à espera de resposta.
Courbet estava "desesperado", como nós...

Beijo

Meg disse...

Nýdia,
Este poema é como um abalo nas nossas consciências.
E Courbet... também acho.

Beijo

Meg disse...

Maria,

O poema já tem anos mas continua a ser necessário pensá-lo... e muito.

Antes não fosse.

Um beijo deste lado

Meg disse...

Lua de Lobos,

Arrepiante, é uma palavra que define bem este poema, cara Maria de são pedro.

Um abraço

Maria Clarinda disse...

Pois...onde andavas tu?!!!!
Simplesmente maravilhosa esta tua postagem!!!Para mim talvez uma das melhores que tenho lido, em que o tema é este.
Obrigada pela partilha!!!!
Jinhos muitos

A imagem maravilhosa!!!

Pata Negra disse...

A pergunta faz ainda mais sentido agora para que, de uma vez por todas, saibamos onde estamos.
- Onde estás tu agora? Se não sais daí ainda acabas por ficar de baixo dos escombros!...
Um abraço das fileiras

mjf disse...

Olá!
Quantas vezes temos ainda de perguntar: onde estavas tu???
:=(

Beijocas

Agulheta disse...

Meg. Se calhar muitos de nós perguntamos? Onde estavas tu! nos momentos dificeis da vida,e pergunto algumas vezes onde eles andam... distraídos de nós.
Muito bom as palavras de Joaquim Pessoa,que ficam bem nas memórias.
Beijinho amigo.

Lisa

Mariazita disse...

Onde estavas tu quando mais precisei de ti? Onde? Onde? Onde?
Perguntas sem resposta, a maior parte das vezes.
Mas será que a resposta interessa mesmo? Francamente, acho que não.
O que interessa é que NÃO estavas lá.
Para classificar este poema, de que gosto imenso, eu usaria uma palavra - acutilante.
Também gosto muito do poema dele que começa assim:

"Lisboa tem um vestido azul feito de mar e guerra.
E cheira a laranjas maduras.
Quando as gaivotas trazem no bico
os primeiros pedaços de sol para acender o dia,
Lisboa deixa correr os cabelos pelo Tejo e o povo pelas ruas."

Não é uma beleza?

Mas o que escolheste para postar é mais "forte"!

Uma noite feliz.

Beijinhos
Mariazita

Bipede Implume disse...

Uma questão muito séria. Filosófica mesmo.Onde estamos quando somos necessários, ou devíamos ter estado.
E uma questão que fica a tilintar dentro de nós.
Beijinhos e boa semana, amiga.

Meg disse...

Maria Clarinda,

Temos de continuar a fazer a mesma pergunta, minha amiga. Infelizmente continua sem resposta.

Beijo

Meg disse...

Pata Negra,

Falaste em escombros... e, pensando bem, será que não estão prestes a desabar?

Um abraço preocupado

Meg disse...

Querida Mjf,

Pois vamos ter de continuar a perguntar, pelos vistos por muito tempo ainda.

Um beijo

Meg disse...

Lisa,

Onde estavam? Muitos ficaram pelos caminhos da vida, esquecidos ou distraídos...

Um beijo

Meg disse...

Mariazita,

Joaquim Pessoa é também um apaixonado por Lisboa, e isso está presente nos seus poemas... lindos.

Um beijo

Meg disse...

Isabel,

Essa é uma questão intemporal, uma pergunta que estará sempre presente na nossa vida.
A resposta é improvável...

Um beijo

Amaral disse...

Meg
Bonito este poema "do escondido". A ilustração é, então, de uma beleza suprema.
Abraço

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Entre o que vejo e o que digo,
entre o que digo e o que calo,
entre o que calo e o que sonho,
entre o que sonho e o que esqueço,
a poesia.
Desliza entre o sim e o não:
Diz o que calo,
cala o que digo,
sonha o que esqueço.
Não é um dizer: é um fazer.
É um fazer que é um dizer.
A poesia se diz e se ouve: é real.
E, apenas digo é real, se dissipa.
Será assim mais real?

(Octávio Paz – México)

Desejo uma semana iluminada, com muita paz e amor.
Do amigo
Eduardo Poisl

Vieira Calado disse...

Outra maneira de perguntar:

- Onde estava você quando foi o 25 de Abril?


Beijinhos, amiga!

MPS disse...

Seres a quem a vida passa ao lado. Existem mas não são, segundo a hierarquia aristotélica

Um grande abraço.

romério rômulo disse...

meg:
uma notícia.a professora hercília
fernandes,da universidade federal do rio grande do norte,brasil(ela é
conterrânea do moacy cirne),fez uma longa entrevista comigo,e disponibilizou no
http://novidadesevelharias-fernandes
hercilia.blogspot.com
deixo o meu convite à leitura da
matéria a todos os amigos do blog.
um beijo.
romério

Meg disse...

Amigo Amaral,

Joaquim Pessoa é mais um dos meus poetas, sempre com algo importante para transmitir...
E o Courbet era um "desesperado".

Um abraço

Meg disse...

Uma página para dois


Eduardo,

Gostei muito do poema do Octávio Paz... vou guardá-lo.

Uma semana feliz para você.

Um abraço

Meg disse...

Amigo Vieira Calado,

Essa também poder ser outra leitura deste poema, é verdade.

Um abraço

Meg disse...

Cara MPS

E se tu o dizes bem!

Um grande abraço

Meg disse...

Querido Romério,

A notícia que deixas vai ser devidamente divulgada aos teus e nossos amigos.
Veio na altura própria.

Um beijo

utopia das palavras disse...

Faboloso Joaquim Pessoa!
Sim, onde andam as consciências?
Onde andamos, que nunca estamos!

Beijo, Meg

Mariazita disse...

Amiga, hoje venho trazer um presente e um desafio giro que estão
AQUIVai ver, e actua em conformidade...

Beijinhos
Mariazita

São disse...

Sabes, ouvi o Joaquim Pessoa , que conheço desde menina, recitando este extraordinário poema na Casa da Cultura da Quimigal há muitos anos atrás...

Te agradeço profundamente as belas palavras que me deste em 21 de Abril.
Bem hajas, amiga!

Deusa Odoyá disse...

Olá amiga Meg.
Obrigado por sua visita ao meu cantinho.
E vc.está coberta de razão.
Aonde encontrarei um homem assim.
Mas não vou deixar de sonhar.
um dia o cavaleiro se posta a minha frente.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Agora comentar seu poema.
Não sei lhe responde aonde estava naquele momento.
Mas posso lhe dizer esse poema é muito profundo e reflexivo.
Parabéns uma bela escolha.
Beijinhos amiga.
regina Coeli.
Muita paz.

Alexa disse...

sim onde estavas tu? não será uma pergunta que nos fazemos tane tantas vezes.
Por onde andavas?

Obrigada pela partilha acho-a importantissima.
beijo

Meg disse...

Mariazita,

Agradeço desde já o presente... já sobre o mesmo só mais logo terei tempo para ver de que se trata... agora estou quase a sair.
Mas lá irei,concerteza.

Um beijo

Meg disse...

São,

Apesar de já ter uns bons anos, este poema, quanto a mim, continua a fazer sentido.

Um abraço amigo

Meg disse...

DEUSA ODOYÁ,

Quem sabe um dia não aparece esse ser superior por que você tanto suspira!:))

Um abraço

Meg disse...

Alexa,

Continua a ser importante, infelizmente.

Um abraço

Maria Faia disse...

Vejo que ainda andas atarefada Amiga.
Deixo-te um beijo Amigo de Liberdade.

Maria Faia

O Guardião disse...

É terrível verificar que muitos passaram mesmo ao lado da vida, das coisas boas e más, vivendo num mundo de fantasia que em nada se assemelha à verdade.
Cumps

Papoila disse...

Magnifico post!
Beijos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Meg

Há pessoas que passam pelos outros como se os outros não lhes dissessem respeito. Nem as catástrofes, nem os sofrimentos, nem os sonhos alheios as fazem olhar para fora do seu umbigo.
Porém são estas pessoas alheadas do meio envolvente que mais criticam e desenvolvem teorias quando algo acontece.

Abraço

paginadora disse...

Perguntas pertinentes e importantes!
Onde estava tanta e tanta gente, que permitiu que o mundo chegasse onde chegou?
Onde estavam todos quando tanto horror aconteceu?
Onde estaremos nós para que muito do passado negro não regresse?
Um beijo grande amiga meg

Meg disse...

Maria Faia,

É verdade, Maria, o tempo começa a escassear, o verão aproxima-se e o trabalho aumenta a cada dia.
Às vezes só mesmo por esta hora consigo vir aqui.
Mas venho sempre que posso.

Um beijo

Meg disse...

Papoila,

Obrigada!

Um beijo

Meg disse...

Lídia,

É verdade, a vida para alguns resume-se ao seu pequeno umbigo.
Disseste bem.

Um abraço

Meg disse...

Guardião,

E essas pessoas continuam a existir, apenas preocupadas com o seu umbigo - como diz a Lídia, do Silêncio Culpado.

Um abraço

Meg disse...

Paginadora,

Não sei onde estavam, apenas que não estavam onde deviam.
Será que ainda vêm a tempo?

Um abraço

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Um beijinho de agradecimento por trazeres o Joaquim Pessoa, tao esquecido.
Abracos

Meg disse...

Amigo Namibiano,

Por isso é importante trazê-lo aqui, não só o Joaquim Pessoa como tantos outros.

Um abraço