14 de novembro de 2009

Sonetos Satíricos... para relaxar!

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Publico de novo... porque me apetece...
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MUITO!!!!!
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Brueghel, Tower of Babel .
Tanto na sátira política quanto na crónica de costumes ou na caricatura pessoal, o soneto é o espaço mais propício ao retoque de um retrato psicológico ou social, no qual se patenteie simultaneamente a perícia do fotógrafo. Quem assina o flagrante pode não ser poeta consagrado; pode até ser consagrado noutro departamento intelectual: mas o potencial crítico dum soneto certeiro terá validade permanente... . . A Dança dos Partidos . Os dous estragadíssimos partidos Ocupam a seu turno a governança; E nós imos vivendo da esperança De ver os nossos males combatidos. Os quinhões são de novo repartidos, Toda vez que se dá qualquer mudança, Se aquele outrora encheu, este enche a pança E os clamores do povo são latidos. Se as velhas leis têm sido violadas, Estando nossas crenças abaladas, Novas leis não darão melhores normas. Palavras eu não sei se adubam sopa, Mas a fala do trono é que não poupa Reformas e reformas e reformas
[Padre Correia de Almeida] .
Reforma do Ensino . Mal o Congresso arranja uma reforma, Da Instrução malsinada e miseranda, Outra já se prepara; e desta forma Ela de Herodes a Pilatos anda. Da mania reinante segue a norma (Pois que da glória os píncaros demanda) E de um grande projeto o esboço forma O fecundo doutor Passos Miranda. A nova lei ordena que os pequenos Trilhem com aplicação e com cuidado Seis anos de científicos terrenos. Um parágrafo seja acrescentado: O saber ler é obrigatório; a menos Que o rapaz se destine a deputado...
[Bastos Tigre] . . . Esta República . É certo que a República vai torta; Ninguém nega a duríssima verdade. Da pátria o seio a corrupção invade E a lei, de há muito tempo, é letra morta. A quem sinta altivez, força e vontade Ficou trancada do Poder a porta: Mas felizmente a vida nos conforta, De esperança, uma dúbia claridade. Porque (ninguém se iluda), "isto" que assim A pobre Pátria fere, ultraja e explora, Jamais o sonho foi de Benjamin. Os motivos do mal não são mistério: É que a gentinha que governa agora É o rebotalho que sobrou do Império. . [Bastos Tigre] . . . Fernando Pessa diria... E ESTA, HEIM!.
Convido-vos a escolher o mais divertido destes Sonetos
Tenham um bom fim de semana! . .

42 comentários:

Bipede Implume disse...

Querida Meg
Todos eles são acutilantes e muito a propósito.
Eu escolheria o segundo porque termina assim."O saber ler é obrigatório; a menos que o rapaz se destine a deputado..."
Bom fim de semana, minha amiga e que continues muito recalcitrante.
Beijinhos.
Isabel

EDUARDO POISL disse...

Hoje passando para ler estes lindos poemas e desejar um lindíssimo final de semana.

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)

Abraços com todo amor e carinho

Cid disse...

Que lindo trabalho de investigação!

Não há um melhor que outro. Não os vou perder.

Meg disse...

Isabel,

Já era assim naquele tempo, minha amiga.
Vamos ver se os amigos entram na brincadeira e no fim saberemos qual o soneto que mais chamou a atenção.
Um bom fim de semana para ti.

Beijinho

Meg disse...

Eduardo,

Muito obrigada.
E Chalie Chaplin tinha toda a razão, continua a ter.

Um fim de semana cheio de luz.

Um abraço

Meg disse...

Meu caro Cid,

Sei que é difícil escolher, eu própria me sinto dividida.

Quanto aos poemas...tens carta branca.

Tem um bom fim de semana

Um abraço

BAR DO BARDO disse...

Meg, adorei os sonetos. Hilários, porém de se matutar muito.

Felicidades!

Vieira Calado disse...

O humor é sempre refrescante.

Bom fim de semana.

Meg disse...

Bar do Bardo

Agora disseste bem, Henrique.
Hilários mas dão que pensar.
Mas como é fim de semana, não vamos pensar muito.

Um abraço

Meg disse...

Amigo Vieira Calado,

Também só nos resta a capacidade de sorrir, não é?

Bom fim de semana para ti.

Um abraço

Vanda Mª Madail Rafeiro disse...

Todos actuais e de interesse.
Não há um melhor que outro...
Um abraço

utopia das palavras disse...

Esta Républica...perplexa-me e a satírica destes sonetos espelham-na!
Todos muito bons e necessários!!

Um beijo e um fim de semana bem disposto

Agulheta disse...

Meg!
Cada qual o melhor e bem acutilante no actual,e estou de acoro com o Eduardo,nas palavras de Chaplin! Se devia ter mais humildade e mais solidariedade,então o mundo seria bem melhor.
Beijinho amigo e bfs
Lisa

Meg disse...

Vanda,

É incrível com as coisas não mudam mesmo. Só para pior.

Um bom fim de semana,

Um abraço

Meg disse...

Utopia das Palavras

Foi isso mesmo que pensei, Ausenda.
Para sorrir mas também para meditar.

Bom fim de semana.

Beijo

Meg disse...

Lisa,

Humildade e mais solidariedade,é o que menos se vê precisamente entre os ditos poderosos.
Eles querem é "comer e não deixar nada".

Tem um bom fim de semana,

Beijo

O Guardião disse...

São todos elucidativos da realidade do tempo e actual, mas o segundo (como já foi dito) chamou mais a minha atenção.
Bfds
Cumps

Peter disse...

Uma grande verdade:

"O saber ler é obrigatório; a menos
Que o rapaz se destine a deputado..."

naquele tempo, entenda-se...

Meg disse...

Guardião,

É verdade, a realidade se mudou foi para pior, e não devia.

Um abraço

Meg disse...

Peter,

E não é verdade?

Nem saber ler nem saber falar... quantos entram mudos e saem calados?

Se estes sátiros imaginassem como um século depois seriam lembrados com tanta propriedade!

Bom fim de semana

Um abraço

José Augusto Nozes Pires disse...

Como já todos disseram muito, eu não os repito. Dá-nos destas que eu aplaudo.

Ana Tapadas disse...

Que bom que publicaste de novo, pois pude lê-los! (antes não conhecia o teu cantinho).
Concordo com a nossa Bípede Implume. São actualíssimos!
Bom Domingo,
bj

MPS disse...

Cara Meg

Se pergunta pelo mais divertido, não tenho dúvida que é o segundo, porque nos faz rir, enquanto os outros dois só nos fazem sorrir... amarelo.

Transpondo para os dias de hoje e, dado que é da realidade brasileira que se trata, sempre se poderia acrescentar a presidência da República à excepção do saber ler (partindo do princípio de que o Caetano Veloso falou verdade).

Mas... porque será que, falando-se do Brasil, nos parece que se fala de Portugal?

Um abraço

Meg disse...

Zé,

Não resisti a estes sonetos, quando os voltei a ler.
Não estava previsto, mas sou de rompantes... que queres!
Obrigada pelas tuas palavras.

Um abraço

Meg disse...

Ana,

Às vezes acontece apetecer-me trazer aqui, "coisas" de outro blog, anterior a este.
E como já passou tanto tempo, por que não?
E se vos fizer sorrir, tanto melhor!

Beijinho


Beijo

Meg disse...

Cara MPS,

Parece que o segundo soneto vai levar a palma.
E, minha amiga, a nossa realidade está cada vez mais parecida com a do Brasil. O pior é que a destes sonetos tem um século inteiro.
Não devíamos hoje ser ou pouquinho diferentes? Para melhor, claro!

Dá para sorrir, mas também para pensar.

Um abraço amigo

Nydia Bonetti disse...

Meg

Para mim, o terceiro é imbatível. Mas todos me apetecem. :)

Só rindo mesmo... Beijo, bom fim de semana!

Meg disse...

Nydia,

Ah... vais pelo último?
Vamos ver... entretanto nada como o humor para sobreviver, minha amiga.
E estes sátiros sabem como nos fazer rir.

Beijo

Mariazita disse...

Meg
Não vou ter tempo para comentar (para ler, primeiro...)vou preparar a Anita para amanhã.
Depois volto.
Agora é só mesmo para te desejar um óptimo fim de semana.

Beijinho
Mariazita

Meg disse...

Mariazita,

Tens todo o tempo, minha amiga,estes sonetos sáo para saborear e divertir, embora façam pensar.
A porta está sempre aberta... e como já é tarde, desejo-te uma boa semana.

Beijinho amigo

Pata Negra disse...

Esses sonetos estão atraiçoados
porque lhes faltam os devidos
espaços
Ainda assim são muito bem mandados
Aos tipos, aos mandantes, aos devassos

Que de tanto nos cantarem os mandatos
E de tanto divulgarem os seus passos
Embora nos parecendo chefes mentecaptos
Nos obrigam a fazer gestos com os braços

Um aborto de poesia me saiu
Como é minha regra, desregrada
Nem soneto, nem quadra, quase nada

Um soneto mal parido me pariste
Saia daqui o final terceto
para dizer-te Meg, que tão chegada me saíste!

Gaita! Assim de rompante agora vejo
que não me saiu soneto, nem terceto, nem chave de ouro
mas há-de sair um abreijo
e já fico muito satisfeito porque "vejo" rimou com "abreijo"

Acredita Meg, aqui no Céu tá-se boé fixe, só não se está bem porque não se está na Terra.

Este comentário devia ter sido apenas:
Gostei muito dos sonetos, bom fim de semana!
Não, não devia!... mas também...
- Cala-te!..........

Meg disse...

Pata Neeeeeeeeeeegra!!!!

Que fiz eu para ter a honra da tua visita?
Tu, que vens do além, onde até tens banda larga e outras regalias, pelo que vejo.
Que luxo!
E que comentário saboroso, a saber a leitão do Entroncamento,a terra dos fenómenos, ahahahah!
E como o que é mau aí, é não estares na terra, volta depressa, mas - ouve o que te digo - são como um pero!

Sempre à tua espera, esta recalcitrante dá-te um grande abraço.
E um beijo, já agora!

Mariazita disse...

Olá, Meg
Ontem não tive tempo para ler o post, por isso voltei, como disse.
Sabes que a tua proposta de escolha é muito difícil (eu acho...) porque os três são óptimos.
O primeiro é todo ele um encanto; o segundo tem esta frase que acho admirável - "O saber ler é obrigatório; a menos
Que o rapaz se destine a deputado";
e do terceiro destaco - "
Da pátria o seio a corrupção invade
E a lei, de há muito tempo, é letra morta."
Como vês é mesmo fifícil escolher, mas a ter que votar...voto no 3º.
O que é triste é verificar que, passado mais de um século, tudo continua na mesma...
O senhor que se segue???

Resto de bom domingo, apesar da chuva.

Beijinhos
Mariazita

Filoxera disse...

Cada um é especoial. Mas o último toca num ponto que considero essencial: a lei ser letra morta. Como se obtém a confiança dum povo, o investimento estrangeiro, se a lei não se aplica??
Um beijo, Meg.

NAMIBIANO FERREIRA disse...

A rir se dizem grandes verdades...
Meg, podes levar as telas, é preciso divulgar a arte e a cultura angolanas.
Kandandu

Meg disse...

Mariazita,

Vens sempre a tempo, minha amiga.

O que é triste é verificar que, passado mais de um século, tudo continua na mesma...
é verdade, Mariazita, essa é a parte triste deste post.É a que dá que pensar.

Por cá, o frio não há meio de chegar, e quando ouço as notícias, parece-me que estou noutro país... o sol continua a brilhar.

Uma boa semana,

Um beijinho

São disse...

Escolho o primeiro.

E já reparaste que Portugal repete há séculos os mesmíssimos erros?!

Feliz semana, linda.

Meg disse...

Filoxera,

Cada um com o seu tema, mas os dois últimos a destacarem-se.
A Lei, minha amiga, por onde anda nestes tempos?
E se fosse só a Lei!

Beijinho para ti

Meg disse...

Caro Nami,

Pois só com humor podemos sobreviver.
Obrigada pelas telas.
A divulgação segue... um dia destes.

Um kandandu

Meg disse...

São,

Reparei, reparei!
Pensavas que estes sonetos foram postos aqui inocentemente?
Infelizmente não.

Beijinho para ti

duarte disse...

hello meg
escolher um? tem mesmo de ser?.........pronto escolho o segundo, e volto a lê-los todos!
abraço do vale

Meg disse...

Duarte,

Também gostaste mais do segundo soneto!
Pois parece que ficaram empatados, o segundo e o terceiro...

Gostei de te ver de volta.

Um abraço