23 de maio de 2009

Mais uma vez...porque me apetece

.
.
Pobres, de José Pádua .
.
. .
Discurso no Parlamento
Um dia, encho-me de coragem
E vou mesmo discursar no parlamento
Confesso que fiz juramento
De ir a pé até lá
De entrar naquela sala,
Para discursar a minha mensagem
Um dia, apareço nas câmaras da televisão
Verdade mesmo, não é ilusão
Apareço com o meu rosto maltratado
Com o meu rosto de drogado
Para pedir um ponto de ordem
Aos senhores deputados,
Eu mesmo que vivo do outro lado da margem
Já sei que vão olhar com indignação
Para os meus pés descalços
Para os meus calções rotos
E para os meus magritos braços
Já consigo imaginar os vosso rostos
De indignação e estupefacção
Mas mesmo assim eu vou mesmo discursar
Em plena assembleia nacional
Assim mesmo, com este meu visual
De menino de rua votado ao abandono
De menino de rua cão sem dono
Eu vou à assembleia nacional falar
Assim mesmo, sem convite
E sem ser chamado
Eu, que não sei falar português de escola
Vou entrar naquela sala
Para falar com os senhores deputados
Eu vou lá sem convite, acredite!
E antes de me porem andar à paulada
Antes de me mandarem calar à porrada
Vou rasgar o meu peito
Para vocês escutarem o grito
De tanto sofrimento vivido
De tanto sofrimento bebido
E enquanto estiver a ser arrastado
Para fora da assembleia nacional
Eu, menino de rua cão sem dono e drogado
Eu, menino de rua marginal
Ainda terei coragem
Ainda serei capaz
De trovejar a minha mensagem:
POR FAVOR, PÃO, TECTO E PAZ!
Não levem a mal
Mas eu vou mesmo discursar em plena assembleia nacional!
Décio Bettencourt Mateus
in "A Fúria do Mar"
.
.
.
.

48 comentários:

Maria disse...

Sou capaz de subscrever.
O cansaço apoderou-se de mim, hoje. Mas é um cansaço bom, de dever cumprido...

Beijo, Meg, deste lado nosso

Filoxera disse...

Adorei.
Beijos.

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

A Amizade é...
O mais nobre dos sentimentos,
Cresce à sombra do desinteresse,
Nutre-se brindando-se e floresce
a cada dia com a compreensão.

Seu lugar está junto ao amor
Porque ela é também amor.
Somente os honestos podem
ter amigos, porque à amizade,
o mais leve dos cálculos a fere.

Como é um bem reservado aos
eleitos, é o sentimento mais
incompreendido e o pior interpretado.
Não admite sombras nem fingimentos,
rusticidade nem renúncias.

Exige no entanto sacrifício e coragem,
compreensão e verdade,
VERDADE! acima de todas as coisas.

Com as pequenas coisas
do dia a dia
cresce nossa amizade.
Desejo que sempre seja assim.
(Desconhecido)

Te desejo um final de semana com muitos amigos,amor e paz
Abraços do amigo Eduardo Poisl

Mariazita disse...

Um belo poema, um enorme grito de revolta, uma chamada de atenção para tudo que está mal neste país, e a que os "senhores" da Assembleia Nacional fazem ouvidos moucos.

Gostei imenso.
Não conhecia.Obrigada por mo teres dado a conhecer.

Bom domingo (com pouco trabalho...)

Um beijo
Mariazita

Zé Povinho disse...

José Pádua, um conterrâneo. Sobre
Décio Bettencourt Mateus registo a curiosidade de ter passado ontem por aqui (http://sanzalita.multiply.com/reviews/item/179).
Abraço do Zé

Agulheta disse...

Meg.Quantas vezes nos apetecia entrar,pela casa do povo(assembleia) e dizer o que vai na garganta?gosteido texto que muito tem de verdade
Beijinho fica bem

mjf disse...

Olá!
Um belo e comovente post...adorei ;=)
Obrigada

Beijocas

SILÊNCIO CULPADO disse...

MRG


É impressionante como se escreve tão bem. É um poema duma força que nos abala, que nos entra dentro porque esta voz não se cala e toda ela é sofrimento.
Quem pode ser indiferente?

Mas infelizmente há muita gente.


Abraço

utopia das palavras disse...

E o gosto que eu teria de ouvir a voz do sofrimento a discursar... nesse lugar!
Haverá um dia...!

Muito expressivo o desenho de José Pádua!

beijo

Luis Eme disse...

e apeteceu-te muito bem, Meg.

abraço

Meg disse...

Maria,

E foi uma boa jornada, eu sei.
E, já diz o povo, quem corre por gosto não cansa, Maria.

Um beijo deste lado

Meg disse...

Filoxera,

Se gostaste, fico feliz.

Um beijo

Meg disse...

UMA PÀGINA PARA DOIS

Mais um belo poema à Amizade, Eduardo.

Boa semana para você também

Um abraço

Meg disse...

Mariazita,

Ontem como hoje, lá como cá, a revolta é a mesma, os sentimentos também.

Um beijo

Meg disse...

Zé,

Décio é um poeta amigo também,que podes visitar no seu blog Mulembeira (nos meus links)

Pois encontraste um espaço que te vai dar muito prazer conhecer melhor. Por lá passo bastante do meu tempo.

Um abraço

Meg disse...

Lisa,

São as revoltas que não se esgotam.
E um poema que diz bem do estado de espírito de quem se sente abandonado pelos "donos" deste mundo.

Um beijo, Lisa

Meg disse...

Mjf,

Ainda bem que gostaste... é bem difícil ficar indiferente.

Um beijo

Meg disse...

Silêncio Culpado,

Lídia,

Acabei de o escrever... é realmente ficar indiferente aos
apelos dos deserdados da sorte, dos abandonados e excluídos.
E são cada vez mais, Lídia.

Um abraço

Meg disse...

Utopia das palavras,

Ausenda,

É o que teremos de fazer, entretanto vamos ficando por palavras, minha amiga.

Um beijo

Meg disse...

Caro Luís,

Pelo menos isto ainda podemos fazer... reclamar, clamar por justiça.
E apetece tantas vezes!

Um abraço

Vieira Calado disse...

E é um discurso que se impõe!

Para fazer frente à ganância e à insensibilidade dos senhores do trono!

Beijinhos

Fatima disse...

O Decio,
sempre tão bom ler as coisas que ele escreve.
Abrs.

anamarta disse...

Meg
E ainda bem que te apeteceu! Quantas vezes não me apetece entrar na AR e gritar bem alto a minha revolta pelas injustiças que esses senhores em nosso nome aprovam!!! Sim em nosso nome! não são eles os representantes do Povo?
Um beijo e uma boa semana para ti.

São disse...

Ainda bem que te apeteceu, porque eu não conhecia o texto...

Para ti, feliz semana.

Peter disse...

É um grito de revolta. Mais um, mas que nada resolve.

Será verdade que segundo a lei, se a percentagem de votos em BRANCO atingir um determinado nível,é obrigatório fazerem-se novas eleições, mas com novos candidatos?

É importante saber-se, isso já seria fazer algo de concreto.

Quanto ao poema, gostei imenso, é dos que eu gosto e tem uma força esmagadora.

Boa semana (como pode ser boa?).

Amaral disse...

Meg
Acho que nos falta a todos "enchemo-nos de coragem"...
Boa semana
Abraço

Meg disse...

Vieira Calado,

E este discurso impõe-se cada vez mais, meu caro.

Um abraço

Meg disse...

Fátima,

Ainda bem que gostas do Décio... um grande poeta.

Um abraço

Meg disse...

Anamarta,

Eu já nem sei se eles são realmente representantes do povo ou dos seus próprios interesses.

Um beijo para ti

Meg disse...

São,

E não é caso para apetecer, minha amiga? Quem pode ficar indiferente ao que se passa ao que nos rodeia?
Sei que estás comigo, São.

Um beijo

Meg disse...

Peter,

Essa da percentagem dos votos em branco também eu gostava de saber.
É preciso investigar... se calhar não era má ideia.
Um abraço

Meg disse...

Caro Amaral,

Usemos a coragem nos tempos que se aproximam...se formos capazes.

Um abraço

zef disse...

Quando não podemos ir à tal Assembleia, gritamos na rua até que nos oiçam, ou...nos prendam!
Abraços

Decio Bettencourt Mateus disse...

Meg,

É sempre agradável desfilar em o "Recalcitrante". Bem, e pela segunda vez, muito mais ainda. Agradeço. Agradeço os visitantes. E pelos comentários.

Um kandandu (abraço)

Sara L.Miranda disse...

Belo e invulgar este post.
Gostei o blog.
Beijinho

Papoila disse...

Querida Meg:
Aplaudo de pé esta tua magnífica escolha.
Beijos

Paulo Vilmar disse...

Meg!
Que belo e indignado poema! Deveríamos, todos discurssar na Assembléia, talvez, assim, os "nobres" representantes do povo trabalhassem, um pouco!
Beijos!

Meg disse...

Amigo Zef,

E não é o que temos andado a fazer...? A gritar?
Embora nem todos, diga-se em abono da verdade...

Abraços para ti também.

Meg disse...

Caro Décio, meu amigo e Poeta,

É para mim um prazer poder publicar poemas teus... e este Discurso marcou-me muito.
E não foi só o meu caso, como vês.
Eu é que te estou grata, caro Décio.

Um kandandu para ti também

Meg disse...

Sara,

Sê bem-vinda a este espaço... e obrigada pelas palavras gentis.
A porta está sempre aberta "a quem vier por bem".

Um abraço

Meg disse...

Papoila,

Este foi um poema que me marcou, por isso o trouxe aqui de novo.
Continua a fazer sentido, minha amiga.

Um beijo

Meg disse...

Paulo,

É um poema com muita força, meu caro! Mas se não podemos ir gritar à Assembleia, então gritemos na "rua"...

Um abraço

Bipede Implume disse...

Isso era bom que eles lá (Assembleia) estivessem para nos ouvir. Aquilo está quase sempre vazio.
Mas do poema gostei muito.
Beijinhos.

Carminda Pinho disse...

E apeteceu-te muito bem, Meg.
Nunca é demis divulgar a poesia, e os poetas com quem nos identificamos, sobretudo se a mensagem vem tão a propósito, como esta.

Beijos

Meg disse...

Isabel,

Eles estão lá para tratarem da vida deles, a nossa pouco lhes importa, pelo menos a grande maioria...

Um beijo

Meg disse...

Carminda,

E este poema, infelizmente, continua a ser actual, apesar de ter sido escrito tendo em vista outro país, outro continente, mas as mesmas circunstância.
Como vês o mal continua.

Beijos

São disse...

É caso para apetecer até ao triturar dos próprios dentes, sim.


Aquela delícia chamada Milady é tua? Mas que maravilha !!

Beijos, linda.

Meg disse...

São,

Por quanto tempo ainda teremos de lutar com palavras como as deste poema!

Aquela não é a minha Milady... mas é quase um clone da minha.

Um beijo