17 de março de 2010

Pergunta-me...

Soledades, de Miguel Oscar Menassa

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue


Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos


Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enovoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente


Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


Mia Couto
.
.
.

36 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Sou fã do Mia Couto... ;)

duarte disse...

nas palavras ditas morrem os silencios...
gostei(como sempre).
abraço do vale

Maria disse...

Como comentar um poema de Mia Couto?
Adoro ele, e tu sabes. Por isso te agradeço esta leitura...

Um beijo, do nosso lado.

O Guardião disse...

O que dizer de um conterrâneo dotado de talento para as letras?
Cumps

Henrique Pimenta disse...

Excelente...

Maria João disse...

Mia Couto, sempre tão pleno e profundo... apetece ler e reler e reter..

Obrigado Meg
Um beijinho

Pata Negra disse...

Não me perguntem nada senão eu respondo! Mia Couto... sempre por aqui e não só...
Um abraço negro em terras de luz

Multiolhares disse...

Por vezes basta uma simples pergunta, para sabermos se ainda somos importantes na vida de alguém
beijitos

Meg disse...

Francisco,

Muito obrigada pela sua visita, mais uma vez.
Já andei explorando, ainda que brevemente, os seus domínios... lá voltarei assim que o tempo me permita. O "drama" de momento.

Um abraço

Meg disse...

Duarte, meu amigo,

É verdade...os silêncios morrem...

Um abraço

Meg disse...

Maria,

És como eu... é Mia Couto, eu gosto.
Mas este tem um "sabor" especial.

Beijo deste lado

Meg disse...

Guardião,

E um génio inventor de palavras saborosas.

Um abraço

Meg disse...

Hentique (Bardo)

Perdoa-me a ausência. Só em palavras, que o tempo escassa para tanto que queria fazer!

Um abraço

Meg disse...

Maria João,

Em Mia Couto encontro muitas das palavras que não sei dizer... mas sinto.

Um beijo

Meg disse...

Querido Pata Negra,

Diz, diz sempre, que as tuas palavras são sempre um momento bonito para a "madrinha".
E desculpa-me tu também a ausência na "campanha" mas ando com os trastes às costas.

Um beijo (hoje apetece-me)

Meg disse...

Multiolhares,

Tanto que gostava de patilhar contigo as boas memórias desse "sitio" de tão belas memórias. Irrepetíveis. Malheureusement!

Um beijo

Ana Tapadas disse...

Mia Couto é grandioso com a nossa língua: forte e profundo. Este texto é um desfio... a imagem que escolheste é muito adequada.
beijinho

São disse...

Já conhecia, mas é sempre bom (re)ler Mia Couto: obrigada.


Força, querida, nessa terrível tarefa em que estás empenhada.

Um beijinho.

Filoxera disse...

Estou admirada!
Andamos todos a publicar posts em torno do vento...
Beijos. Numa brisa suave.

versoeprosa disse...

Meg,
que coisa mais linda, mais linda.

Vou reproduzir no meu blog, posso?

beijos

mdsol disse...

Ai Meg

Da única vez que estive no Maputo conheci o Mia ... Uma emoção tal que... mal consegui articular palavra... O que não é o meu género, de todo. O amigo comum que nos apresentou até estava parvo comigo!
Imagina...
:)))))))

Bipede Implume disse...

Querida Meg
As coisas lindas que tu nos trazes aqui e há já três anos.
Parabéns e Chuac chuac em cada bochecha.
O que desejo é que continues mesmo recalcitrante, ou, se calhar, por isso mesmo.
Beijinhos e bom fim de semana.
Isabel

Nydia Bonetti disse...

A imagem da reconstrução do poema em pedaços é tão intensa, tão bonita, Meg. Mia Couto é demais, não é? :) Beijo!

Sonia Schmorantz disse...

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade

Um lindo domingo e uma semana de paz e sucesso em tudo que fizer.
Um abraço

Sônia

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Olá Meg,

Pouco tempo para visitar os amigos, mas nao estás esquecida...
hoje, no dia internacional da poesia veio deixar-te um grande abraco!! E este blog continua a ser a POESIA em si mesmo.
Bj
Nami

utopia das palavras disse...

A cumplicidade responde sem que a pergunta exista! Mia Couto num poema muito bonito!

Com algum atraso, porque o tempo me atropela...Parabéns pelo 3º aniversário!

Beijinho

Meg disse...

Ana,

Só hoje tive um bocadinho para vir ter com os amigos.
Até depois da Páscoa vai ter de ser assim, de fugida, minha amiga.
Quanto ao Mia... estamos em sintonia.

Um beijo

Meg disse...

São,

Como podes ver, as coisas não estão a ser fáceis.

Beijinho para ti.

Meg disse...

Filoxera,

Talvez haja alguma razão obscura para isso, ahahah!!!

Beijinho

Meg disse...

Verso e Prosa

Renata, claro que podes!
E as melhoras para ti.

Beijoooooo

Meg disse...

Mdsol,

Claro que não me admiro com o que contas... o Mia "desarma" qualquer uma, é uma pessoa fascinante.

Beijo

Meg disse...

Isabel,
Obrigada pelas palavras e por me acompanhares deste o iniício desta aventura, minha amiga.
Ando ainda em bolandas, daí a minha ausência.

Beijinho para ti

Meg disse...

Nydia,

Sou suspeita a falar de Mia, sou incondicionalmente fascinada pelo escritor e... pelo homem.
Vê se pode!

Beijos

Meg disse...

Sonia,

Adorei o poema de Eugénio de Andrade.
Atrasada, aqui fica o meu desejo de uma boa semana também.

Um beijo

Meg disse...

Querido Nami,

Estou nas mesmas condições, Nami.
Falta de tempo.
Espero que estejas recuperado.

Kandandu

Meg disse...

Utopia...

Andamos atropeladas pelo tempo... tu e eu, Ausenda!
E tu sabes como vai ser daqui para a frente, até Setembro.
Mas com os amigos no coração.

Beijinho