17 de dezembro de 2010

a casa da minha infância (para luis nassif)

Há já algum tempo que guardava este poema...
para vos oferecer  no Natal.

Para o  Romério, um grande Amigo deste blog, sempre atento nos "bastidores",
vai todo o meu carinho pela amizade ao longo destes anos.

                                            


1.
a casa da minha infância
nunca foi casa qualquer
tem mocinho, tem bandido
uns cantos cheio de medo
uns estados de martírio
medos de deus que se mostram
umas velas choradeiras
da vida que se ilumina
nos seus olhares já mortos
da minha casa vazia.
o pai e a mãe são momentos
de estender as mãos e ver
que certas artes das coisas
se fizeram por inteiro.
quanto de mim vejo agora?
quanto de cada manhã
eu vivi, torridamente.
sem saber, naquela casa
me carrego como um todo.
outros olhos, mais lavrados,
finco no tempo e meu corpo
se perde num tempo oco
quando a mão se esvai, somente
a encontrar cada noite
onde o gosto da lembrança
é um santo protetor
onde um pássaro de fogo
me revelou quem sou eu.

2.
quanto de água ainda bebo
desta casa, destes quartos
se tudo se sabe em mim
em trapos que são do tempo.
a casa sobrou num canto
da memória destilada
do vinho desengonçado
que fala de mim em tudo.

3.
as pedras que me sobraram
os muros que me pariram
todos eles guardei, todos
no meu corpo permanente.

4.
a dicção da paisagem
chega inerte
toda a sonoridade
verte, verte.

romério rômulo

3 comentários:

Ana Tapadas disse...

Que belo presente de Natal! Obrigada por partilhares.
O blogue está lindo.
Beijinho

DECIO BETTENCOURT MATEUS disse...

Uauu! Maravilha Romério Romulo! Bem tecido, cativante e empolgante.

Valeu Meg.

tuxa ramos disse...

Que surpresa tão agradável e lindíssima. Parabéns Minha Querida que eu continue a procurar este blogue por muitos anos. Beijinho