28 de outubro de 2008

Hino

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“Minha maior alegria
minha glória humilde e nua
é ver a minha poesia
fazer ciranda na rua”
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J.G.de Araújo Jorge
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[Ema Berta]
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Hino
Quisera que meus braços fossem extensos e infinitos
como os horizontes
para abraçar todas as terras...
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Meu coração universal conhece todos os idiomas
e os meus olhos trouxeram a cor dos mares
que contornam todos os países...
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Meus pés não distinguem no atrito das terras
as diferenças de raças
e as minhas mãos não distinguem
no aperto de outras mãos
as diferenças de cores...
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Meus pés só distinguem os caminhos ásperos
dos caminhos suaves
e as minhas mãos só distinguem
as mãos rudes que trabalham
das mãos macias que vegetam...
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Quisera abrir os braços
e envolver todas as terras e todas as pátrias
e ensinar a todos os homens
que a luz vem de um único sol
e que o amor deve unir todas as mãos ásperas
para que todos os caminhos sejam suaves...
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J.G. de Araújo Jorge
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José Guilherme de Araújo Jorge nasceu na Vila de Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987..
Ainda jovem iniciou-se na poesia. . Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Durante a ditadura estadonovista, a sua poesia levantava-se como um protesto. Foi, por isso, muitas vezes preso.
Além da poesia social, os versos líricos tornam-no um dos poetas mais lidos do Brasil atual.
Como jornalista, escreveu nos jornais "Correio da Manhã", "A Nação", "A Manhã", e "Tribuna da Imprensa", além das revistas "Carioca", "Vamos Ler", "Letras Brasileiras" e outros.
Com Eterno Motivo (1943), obteve o prêmio Raul de Leoni, da Academia Brasileira de Letras. Canto da Terra e Estrela da Terra, impregnados de amplo sentido humano e social, são livros que lembram Garcia Lorca e Castro Alves.
Escreveu também: Meu Céu Interior, Amo, Cântico, Harbas Submersas e outros.
Publicou mais de quinze livros de poesia.
Ficou conhecido como "O poeta do povo e da mocidade".
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44 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

MEG

É uma Hino que arripia pela força das palavras, pela beleza das metáforas, pela sede duma terra mais sentida.
Sim, faz lembrar Castro Alves e Garcia Lorca.
Espectacular.
Mais uma vez estás de parabéns.
Tu desencantas e cantas verdadeiros génios.

Abraço

Agulheta disse...

Meg. Não conhecia o escritor poeta,mas adorei as palavras arripiantes na sua forma de escrita este Hino!Obrigada pelas palavras e visita.
Beijinho e uma flor

Amaral disse...

Meg
Parabéns sempre boa Poesia e uma escolha muito feliz das composições poéticas.
Abraço

Pata Negra disse...

De passagem pelo meu blogue de poesia para sair daqui com o ego do tamanho dum pássaro no horizonte: afinal existem homens com os braços mais compridos do que os meus. Ao menos que eu apanhasse o horizonte para o embrulhar e recolher como um dia fiz à minha sombra (apaguei a luz).
Um abraço a Meg ado

Bipede Implume disse...

Mais um poeta que desconhecia e que, graças à divulgação sempre acertada que fazes, me despertou o interesse de conhecer melhor.
Grande abraço.

Meg disse...

Lídia,
É, sim, um dos mais bonitos poemas deste poeta de causas.
Obrigada pelas palavras, mas não é tanto assim.

Um abraço

Meg disse...

Lisa,
Fico feliz que tenhas gostado.
Um abraço

Meg disse...

Caro Amaral,

O mérito é dos poetas e não meu, eu só os lembro aqui.
Um abraço

Meg disse...

Caro Pata Negra,
A tua visita ao teu blog de poesia é sempre muito benvinda
Bonita essa imagem de abraçares e embrulhares e guardares o horizonte!

Um abraço

Meg disse...

Isabel,

Se puderes, não deixes de o fazer, que vale bem a pena. É um grande poeta.

Um abraço

f@ disse...

Quando os olhos transportam o mar é sempre infinito o olhar e o abraço apertado e caloroso...

Beijinhos das nuvens

Zé Povinho disse...

São Hinos destes que nos vão dando alento e nos fazem ainda ter esperança na humanidade.
Foi uma novidade absoluta.
Abraço do Zé

Carminda Pinho disse...

Meg,
mais um bonito "hino" à poesia, o que aqui nos deixas.

Beijos

Meg disse...

Pin Gente

Se os olhos transportam o mar...
é isso que acontece mesmo.

Um abraço

Meg disse...

Amigo Zé,

Mas nem sempre pode reinar a desesperança. E este poema é a prova disso.

Um abraço

Meg disse...

Carminda,
Este poema é realmente um Hino à esperança.
Um abraço

Delfim peixoto disse...

Senti uma alma pura neste poema e na escolha deste autor

Peter disse...

"Meus pés não distinguem no atrito das terras/
as diferenças de raças/
e as minhas mãos não distinguem/
no aperto de outras mãos/
as diferenças de cores..."

Era bom que assim fosse...

Filoxera disse...

Confesso que não conheço o autor.
"e que o amor deve unir todas as mãos ásperas
para que todos os caminhos sejam suaves..."- concordo.
Beijos.

Agulheta disse...

Meg
Para te deixar um bom fim semana,com tudo de bom
Abraço e beijinho

Moacy Cirne disse...

Curiosamente, minha cara, no Brasil JG sempre foi considerado um poeta limitado, por demais "discursivo". Confesso que não figura entre os meus favoritos. Mas, enfim, a divulgação de um poeta sempre merece ser saudada. Um beijo. E um cheiro.

samuel disse...

Felizmente, para nos compensar da existência das criaturas "trucidantes", a Providência acaricia-nos com os poetas...

Abreijo

Meg disse...

Caro Delfim Peixoto,
Obrigada pela visita e pelas palavras. Sempre benvindas.
Retribuirei a visita logo, logo!
Cumps

Meg disse...

Filoxera,
Não é na verdade um autor dos mais conhecidos, mas gostei muito do poema.

Um abraço

Meg disse...

Peter,
Era bom que assim fosse... mas infelizmente não é. Fiquemo-nos pela utopia.

Um abraço

Meg disse...

Lisa,
Obrigada. És um amor... um óptimo resto de fim de semana também para ti e para os teus.
O meu abraço

romério rômulo disse...

meg:
confirmo o moacy.o j.g. não é bem
considerado no brasil.valeu que você o tenha apresentado aqui.um abraço aos amigos e um beijo pra você.
romério

Meg disse...

Caro Moacy,
Neste post o que me encantou foi mesmo o poema, pois o autor por cá é praticamente desconhecido.
Mas agradeço a sua opinião sincera, é assim que gosto.
Cheiros

Meg disse...

Samuel,

Por isso me viro mais para a poesia, mas poesia com "causas" como este poema. Deixemos que os carrascos se desintegrem pelas suas próprias mãos.

Abreijos

Meg disse...

Querido Romério,

Que bom te ver aqui de novo!
Sobre o JG quem sou eu para analisar a sua poesia? Gosto do poema,deste e de outros mais, do seu percurso de vida no que diz respeito a ideais que seguiu e que me são caros, que respeito, e como tal, publiquei.
Claro que aceito o que tu e o Moacy
falam, vocês são poetas e isso me honra. Eu só sigo meus "gostares".

Um beijão grande para ti.

O Guardião disse...

Abraçar o mundo...
É preciso um coração enorme para o desejar realmente.
Bom domingo
Cumps

Entre "aspas" disse...

Minha amiga aqui estou após algum de ausência,pois passei por uma fase um pouco cruel,mas já superei ..

Já tinha saudades de pasar por aqui.
Quanto ao poema rico em metáforas e se~^antica.
Bom Domingo amiga
Bjs Zita

C Valente disse...

Mas que hino, aqui se vai conhecendo muitos poetas e escritores
Suadações amigas e bom domingo

Meg disse...

Caro Guardião

Ainda há corações que querem abraçar o mundo. Ainda bem.

Um abraço

Meg disse...

Entre "Aspas"

Que bom teres voltado! Já tinha estranhado o teu "desaparecimento" mas estás de volta e isso é o mais importante. Sabes que podes contar comigo. Somos sobreviventes e espero não te perder daqui para a frente.

Um grande abraço amigo e cúmplice.

Meg disse...

Amigo Valente,

Sempre benvindas as suas palavras.
Um grande abraço

De Amor e de Terra disse...

Olá minha linda, boa tarde!
Li algo deste autor mas já há muito tempo...e este poema não me lembro dele; talvez nunca me tivesse passado pelas mãos.
Mas AMEI!!!
Obrigada pela partilha, resto de bom domingo e um beijo enoooorme.

Maria Mamede

Zé Povinho disse...

Uma passagem breve para desejar boa semana.
Abraço do Zé

Meg disse...

Querida Maria,
Não é de facto um poeta muito conhecido por cá, mas adorei o poema.
Obrigada pslas palavras.
Mil beijos

Meg disse...

Amigo Zé,
Obrigada pela tua amizade.
Um bom Domingo e um óptima semana para ti também.

Um abraço

Mariazita disse...

Olá, Meg
Desconhecia este poeta.
Adorei o poema.
"Quisera abrir os braços...
...e ensinar a todos os homens...
...e que o amor deve unir todas as mãos ásperas...
...para que todos os caminhos sejam suaves..."
Maravilhoso!
Parabéns pela escolha.
Beijinhos
Mariazita

Meg disse...

Mariazita,
Obrigada pelas palavras, e se puderes não deixes de ler este poeta. Irás gostar.

Um abraço

Carla disse...

nada como o amor para suavizar a dor...um hino que nos faz sentir...
beijos

Meg disse...

Carla,
É um verdadeiro hino ao amor e à solidariedade sempre tão necessários nas nossas vidas.
Um abraço