24 de julho de 2009

Também nós, Rui Barbosa...


Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
Enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligencia com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo. Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar",voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro! "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem- se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Rui Barbosa . . .

33 comentários:

Agulheta disse...

Meg! Olha amiga,se calhar não foi só o autor deste belo poema,até eu já me senti da mesma forma,e ver tanta coisa pávida e serena,sem poder fazer nada?.
Beijinho e bfs

Susana disse...

Face à tamanha hipocrisia e outros podres da nossa sociedade, às vezes dá-me vontade de meescondermos num buraco, de tanta vergonha...

Bjs Susana

Filoxera disse...

Temos de prosseguir, manter uma atitude, contrariar tendências, reclamar, votar, enfim, tudo o que estiver ao nosso alcance.
Beijinhos.

Amaral disse...

Meg
Bela escolha. Por vezes também tenho vergonha de ser isto ou aquilo, de não fazer isto ou aquilo.
Bom fim-de-semana
Abraço

Zé Povinho disse...

Sou apenas mais um dos que assinam porbaixo o poema de Rui Barbosa, mas apetece-me dizer também que as eleições estão por perto e que podemos fazer algo para tentar alterar este rumo...
Abraço do Zé

paginadora disse...

Eu também sinto muita vergonha!
Mas ... talvez as coisas mudem.
Eu espero que sim.
Mil beijinhos para ti :)))

*perdoa-me esta ausência,eu depois explico.

romério rômulo disse...

meg:
o rui barbosa não foi o que ele escreveu. o homem teve vários problemas sérios. basta ler "os cabeças de planilha", do luis nassif.
um beijo.
romério

tulipa disse...

OLÁ MEG

É sempre bom voltar ao teu cantinho.
Tenho andado desaparecida.
Por cá...tristezas já chegam.
A crise bateu à minha porta ontem e uma carta p/Desemprego está aqui à espera de 2ª feira ir entregá-la ao Centro de Emprego.
Enfim...a vida tem destas coisas!!!

Neste momento ainda me encontro em convalescença da pneumonia, por isso quase nem posso brincar c/os netos, nem passear, nem fazer arrumações e limpezas de Verão, enfim...há que ter paciência.
Atenção: não quero ser a "coitadinha" pois algumas pessoas depois de lerem que estou doente, reagem muito mal, com comentários mesmo desagradáveis.

O meu ultimo post tem a ver com o "MAU" que existe na Blogosfera, fico triste. Mas a vida é assim!

Deixo-te um beijo e votos de óptimas semanas de Verão.

Meg disse...

Lisa,

Mas nós podemos fazer sempre alguma coisa, minha amiga... já falta pouco.
Um beijo

Meg disse...

Susana,

Como vês os tempos e os vícios não mudaram nada, Susana, mas temos que agir, ou antes, reagir.

Um abraço

Meg disse...

Filoxera,

É para isso mesmo que a leitura deste poema serve. Alertar-nos para pensar e agir em conformidade.

Um beijo

Meg disse...

Amaral,

Mas se não agirmos na hora certa, tudo como continuará como dantes...

Um abraço

Meg disse...

Zé Povinho,

Pois foi mesmo por isso que trouxe o Rui Barbosa aqui, agora.

Um abraço

Meg disse...

Amiga Paginadora,

E é na expectativa de mudança que vivemos. É preciso agir.
Por aqui, até ao fim de Agosto também haverá ausências... é época de muito trabalho.

Um abraço

Meg disse...

Romério,

Isso eu não sabia, confesso. Mas. de qualquer maneira, nós por cá, em vésperas de eleições,
precisamos de ler este poema.
Vou querer saber das planilhas do LN.

Um beijo

Meg disse...

Tulipa,

Também as coisa por aqui têm andado complicadas... o excesso de trabalho obriga-me a grandes ausências do blog.

Já fui ler o teu post, uma leitura um pouco apressada é certo, mas deu para te entender.
Deves seguir em frente, minha amiga...
Espero que recuperes depressa.

Um abraço

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

A qualquer hora em que chegares,
sentarás comigo à minha mesa.
A qualquer hora em que bateres a minha porta,
o meu coração também se abrirá.
A qualquer hora em que chamares,
eu me apressarei.
A qualquer hora em que vieres,
será o melhor tempo de te receber.
A qualquer hora em que te decidires,
estarei pronto para te seguir.
A qualquer hora em que quiseres beber,
eu irei a fonte.
A qualquer hora em que te alegrares,
eu bendirei ao Senhor.
A qualquer hora em que sorrires,
será mais uma graça que o senhor me concede.
A qualquer hora em que quiseres partir;
eu irei à frente nos caminhos.
A qualquer hora em que caíres,
eu estenderei os braços.
A qualquer hora, em que te cansares,
eu levarei a cruz.
A qualquer hora em que te sentires triste,
eu permanecerei contigo,
A qualquer hora em que te lembrares de mim,
eu acharei a vida mais bela.
A qualquer hora em que partires,
ficarás com a lembrança de uma flor.
A qualquer hora em que voltares,
renovarás todas minhas alegrias.
A qualquer hora que quiseres uma rosa,
eu te darei toda roseira.
Eu te digo tudo isso, porque não posso imaginar
uma amizade que não seja toda,
de todos os instantes e para todo bem.

by: Cid Moreira

Desejo uma linda semana com muito amor e carinho.
Abraços
Eduardo

Peter disse...

Faz lembrar-me um e-mail que recebi ontem:

"Um arrogante estudante universitário, a passear junto à praia, resolveu explicar a um cidadão sénior, que estava calmamente sentado nos degraus que levavam à praia, porque é que era impossível a geração mais velha compreender a sua geração.

"Você cresceu num mundo diferente, realmente quase primitivo", disse o estudante suficientemente alto para todos ouvirem. "Os jovens de hoje cresceram com televisão, aviões a jacto, viagens espaciais, o homem a andar sobre a lua. Nós temos a energia nuclear, naves espaciais, telemóveis, computadores extremamente rápidos... e muito mais."

Após um breve silêncio, o cidadão sénior respondeu:
"Tem razão, jovem. Nós não tínhamos essas coisas quando éramos novos... por isso inventámo-las.
E já agora diga-me, seu arrogante bardamerda, o que é que está você a fazer pela próxima geração?"

O aplauso foi estrondoso!"

P.S.-Tenho estado com problemas com a Banda Larga, mas já resolvi a questão.

SILÊNCIO CULPADO disse...

MEG

O poema é magnífico apenas com um único senão: ninguém deve envergonhar-se por agir de acordo com a sua consciência e os seus valores.
Os outros pervertem-nos? Não nos identificamos nem reconhecemos as nossas lutas num mundo em convulsão cheio de injustiças e malfeitores?
Deixá-lo. Ainda podemos ter vida no reduto final de nós próprios.

Abraço

Mariazita disse...

Meg, minha amiga, estou em dívida (grande) contigo, mas a minha falta de assiduidade deve-se apenas a problemas de saúde.
Não tenho andado muito bem; depois comecei a fazer uns tratamentos que também me roubam bastante tempo.
Por isso vou ausentar-me por uns tempos. Ontem publiquei o último post da "temporada" :), na "Casa" e também no "Lírios".
Espero que não me esqueças, do mesmo modo que irei sempre lembrar-me de ti e de todos que me visitam (mas há uns de quem nos lembramos mais do que de outros, não é?...)
Qundo puuderes ir à "Casa" encontras a explicação e a despedida geral.

Apenas um breve comentário ao teu post: eu gosto muito de Rui Barbosa. Até certo ponto faz-me lembrar o nosso Eça - passados mais de cem anos os seus escritos continam actuais (infelizmente)

Um grande beijinho e até sempre
Mariazita

utopia das palavras disse...

Meg
Quero felicitar-te por este soberbo "discurso" é dos que eu mais amo! Estou sempre a mostrá-lo aos amigos sempre que tenho essa possibilidade.
"O eterno candidato" alguém lhe chamou um dia...!

Obrigada por o teres aqui!

Beijinho

padeirinha disse...

Encaixa que nem uma luva.
Merecia outra revolução.

Meg disse...

Uma Página para Dois,

Divulgando mais um bonito poema... obrigada Eduardo!
Um abraço

Meg disse...

Peter,

E como não houve anedota na 2ª feira... agora dei uma boa gargalhada, embora depois me tenha ficado um travo amargo... mesmo anedota, tem um travo amargo de verdade, meu caro!
Até breve!

Um abraço

Meg disse...

Silêncio Culpado,

Lídia, não deixas de ter razão, mas... é tão difícil não concordar com Rui Barbosa!
Esperemos pela mudança, então.

Um abraço

Meg disse...

Mariazita,

Aqui não há dívidas, minha querida... há uma disponibilidade muito reduzida. No teu caso, por motivos de saúde, ainda menos.
Deixa passar o Verão e tudo retomará o seu ritmo.
Faço força pelas tuas melhoras.

Beijinho

Meg disse...

Utopia das Palavras

Ausenda,
Então estamos juntas em Rui Barbosa.

Um beijo

Meg disse...

Padeirinha,

Se merecia, minha amiga... "eles" andam a pedi-la...

Um abraço

Rabisco disse...

Olá Meg!
Também eu subscrevia o poema...

Meg disse...

Rabisco,

Então junta-te a nós...

Um abraço

Abelha (SP - Brasil) disse...

Romério tem toda razão!

Rui Barbosa foi um gde ladrão. Usurpou o qto pode qdo esteve no poder.

Roubou, armou pendengas e criou soluções, modificou a constituição e outras leis ao seu bel prazer.

Infelizmente, nem muitos de nós, brasileiros, sabem disso. Muitos acham que é mentira. Mas há farta documentação que para embasar essas acusações. Ele virou santo, mas na verdade não passou de mais um canalha na nossa república.

Ainda estamos caminhando, mas Lula nos resgatou um pouco mais de dignidade. Vamos em frente! mas sem nos espelhar em Rui Barbosa...

Um grande abraço

Abelha

lucas Barros disse...

Sinto informar, mas, a nossa vergonha é por não fazer nada contra a corrupção e a falta de amor ao próximo.
Não podemos comparar a nossa vergonha com a vergonha do Rui (ao menos que você tenha feita algo), pois a vergonha que ele sentia era a vergonha de ter feito muita coisa, para no fim nada ver de resultado.
ELE em tantas batalhas se sentia só, pois os bons se calavam enquanto os de má indole comiam seus corpos.

Na verdade quem deveria sentir vergonha é os crueis e ladroes, mas isso não acontece. TRISTE FIM!

lucas barros disse...

Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!