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6 de setembro de 2010

De volta aos amigos, com José Fanha e... Dói-me o Peito

Depois de um período de trabalho intenso, eis-me de volta ao vosso convívio, saudando desde já todos os amigos que por aqui passaram apesar da minha ausência.

Espero que gostem também do novo visual do Recalcitrante...
A todos, para cada um de vós,  deixo estas flores, com o carinho e a amizade da Meg 

Diego Rivera


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Como não tenho -  não temos - razões para nos sentirmos particularmente felizes, aqui vos deixo mais uma vez, um poema de José Fanha que cada vez tem mais actualidade.



Dr.

dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho
e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.

Dr.

já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.

Dr.

eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,

Dr.

Dói-me o peito…

José Fanha