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30 de novembro de 2009

Eça de Queiroz...em 1867!

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"Sempre que no Parlamento se levanta a voz plangente dum ministro, pedindo que cresça a bolsa do fisco e se cubra de impostos a fazenda do pobre, para salvação económica da pátria, há agitações, receios, temores, inquietações, oposições terríveis, descontentamentos incuráveis.
O povo vê passar tudo, indiferente, e atende ao movimento da nossa política, da nossa economia, da nossa instrução, com a mesma sonolenta indiferença e estéril desleixo com que atenderia à história que lhe contassem das guerras exterminadoras duma antiga república perdida.
(...)
Temos um déficit de 5.000 contos. Esta é a negra, aterrível, a assustadora verdade.
Quem o promoveu? Quem o criou?
De que desperdícios incalculáveis se formou?
Como cresceu? Quem o alarga? É o governo?
Foram estes homens que combatem, foram aqueles que defendem, foram aqueles que estão mudos?
Não. Não foi ninguém.
Foram as necessidades, as incúrias consecutivas, os maus métodos consolidados, a péssima administração de todos, o desperdício de todos.
Depois, as necessidades da vida moderna, de terrível dispêndio para as nações.
Como na vida particular, cresceram as superfluidades, o vão luxo, o aparato consumidor, mais precisões, mais gastos, a vida internacional tornou-se tão cara que mais ou menos todas as nações estão esfomeadas e magras.
(...)
O déficit tornou-se um vício nacional, profundamente arraigado,indissoluvelmente preso ao solo, como uma lepra incurável."


Eça de Queiroz, 1867
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27 de novembro de 2009

Crucificação

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Como me tenho lembrado de Natália Correia!
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Bom fim de semana a todos
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Desenho do Vasco


Vertical sou contra Deus

Horizontal a favor

Nesta cruz me crucifico

Vertical com desespero

Horizontal com amor


Natália Correia
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25 de novembro de 2009

COEXISTÊNCIA...Bibi e o papai blogueiro...


Hoje não me apetecem coisas tristes...
por isso, partilho convosco um post delicioso do blog
 Poesias e Estórias da Bibi Nassif
uma das filhas do Luis Nassif, esse grande jornalista e blogueiro brasileiro que dispensa apresentações.
      Família de blogueiro sofre...ora leiam!

É legal e muito bom coexistir, sabe.
O papai coexiste, mas não muito bem.
Sabe por quê?
Porque ele coexiste muito, muito mesmo.
Mas ele coexiste com os eletronicos.
A gente tem que gritar pra chamar ele.
Uma vez eu gritei o nome dele e ele não respondeu.
Eu gritei mais alto ainda e ele não respondeu.
Eu gritei mais alto ainda e ele respondeu.
Até que enfim.
Eu quase fiquei muda (modo de dizer). 

BLOGUEIRO COEXISTINDO COM OS ELETRÓNICOS (adaptação)


Marlene aparentando calma:
- Sr. Nassif, tem um morto dentro da geladeira.
Nassif sem tirar os olhos do monitor:
- O quê?
Bibi assustada:
- Papai, tem um morto dentro da geladeira.
Nassif perdido no mundo virtual:
- Alguém deixou a porta da geladeira aberta e ele entrou.
Dodó amedrontada:
- Papai, você não está ouvindo? Tem um morto dentro da geladeira.
Nassif lendo os comentários do trivial:
- Outro?
Marlene paralisada:
- É o mesmo, senhor Nassif. O que é que eu faço?
Nassif detectando uma mosca assassina:
- Com o quê, Marlene?
Bibi trêmula:
- Com o morto que está dentro da geladeira, PAPAIIII…
Nassif eliminando comentários:
- Deixe lá. Com o calor que está fazendo, tirando de lá estraga.
Ruiva entrando nervosa:
- Nassif, temos que chamar a polícia.
Nassif testando o Fire Fox:
- Polícia? Pra quê polícia, Ruiva?
Ruiva descontrolada:
- LUIS NASSIF, há um morto dentro da geladeira!
Nassif preparando um novo post:
- Outro?
Marlene desconsolada:
-É o mesmo, senhor Nassif. O que o senhor quer que eu faça para o jantar?
Nassif entretido com o micro:
- Eu estou com um pouco de fome. Faça só um franguinho na manteiga.
Ruiva irritada:
- Nassif, onde é que a Marlene vai arranjar um frango a esta hora?
Nassif perdido na blogosfera:
- Há um morto dentro da geladeira.
Depois de 3 horas no computador, ele se depara com a família toda desmaiada e clama:
- Meu Deus, o que aconteceu aqui?
Laurinha:
- AU..AU…AU
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23 de novembro de 2009

A Democracia e a Corrupção






"Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos.
A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio.
Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm.
Tem havido corrupção sob todo o sistema de governo.
A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é autocrático.
Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos.
Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas.
A experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos.


Aldous Huxley,
in 'Sobre a Democracia e Outros Estudos'
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Dá que pensar, meus amigos...
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19 de novembro de 2009

Democracia

Mais uma vez... e porque sim...

Ema Berta


Fui dar com a democracia embalsamada, como
o cadáver do Lenine, a cheirar a formol e aguarrás,
numa cave da Europa. Despejavam-lhe por cima
unguentos e colónias, queimavam-lhe incenso
e haxixe, rezavam-lhe as obras completas do
Rousseau, do saint-just, do Vítor Hugo, e
o corpo não se mexia. Gritavam-lhe a liberdade,
a igualdade, a fraternidade, e a pobre morta
cheirava a cemitério, como se esperasse
autópsias que não vinham, relatórios, adêenes
que lhe dessem família e descendência. Esperei
que todos saíssem de ao pé dela, espreitei-lhe
o fundo de um olho, e vi que mexia. Peguei-lhe
na mão, pedi-lhe que acordasse, e vi-a mexer
os lábios, dizendo qualquer coisa. Um testamento?
a última verdade do mundo? «Que queres?»,
perguntei-lhe. E ela, quase viva: «Um cigarro!»


Nuno Júdice