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7 de setembro de 2009

O Livrinho Vermelho...

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Ex-citações de MAU de ZÉ y CHUNGA
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"SÓ HÁ UM PORTUGAL... AMA-O OU DEIXA-O!
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"(o último a sair apaga a luz e fecha a porta do aeroporto!)"
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MODO DE USAR . . Como qualquer bom remédio para os males desta vida (que se pretende livre de prisão de ventre para toda a gente!) este livro de Ditos, Frases, Fotos dos “Anarkas” e não só... – é para ser usado sem segundas intenções. A falta de cumprimento desta contra-indicação tira quaisquer responsabilidades aos seus inventores, quanto ao aparecimento de efeitos secundários. Este livrinho é, pois, para tomar ao natural, desopilar o fígado e aliviar-lhe a bolsa (mesmo que não a tenha no estômago). Pode ingeri-lo todo de uma vez (por exemplo, enquanto espera pelo subsídio de férias...) ou às colheres (na casa de banho, quando vai na rua e não quer “reparar” num credor, nas partes chatas dos plenários ou nas “baldas” do escritório... É escusado agitá-lo antes de usar, porque as drogas que o compõem já estão bastante espalhadas pelas paredes das ruas e retretes deste País. Guarde-o onde quiser, embora só com arejamento ele possa manter as qualidades de frescura das suas intenções. No caso do conteúdo do que tem na mão lhe provocar irritações de qualquer tipo, amargos de boca ou dificuldade de engolir... você está tão doente que nem o 25 de Abril o conseguiu curar! Finalmente se quiser armar naquilo que não é (mas gostaria de ser...) pode trazer esta receita debaixo do braço, levá-la para os comícios ou pendurá-la ao pescoço, com um cordel, pelo buraquinho que aparece lá em cima. Mais; até pode dizer com toda a cagança - "ninguém tem um igual ao meu" (salvo seja!). Realmente, se comparar com qualquer outro...


"Quando passar um político, não te deves rir de esguelha:
primeiro porque é má educação;
segundo, porque a culpa pode não ser inteiramente dele!!!"
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. Este livro teve a colaboração dos ANARKAS (e não só...) deste País Tiragem: 5000 exemplares. Outubro de 1975 . . .

30 de agosto de 2009

As Duas Damas

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"Assaltei" um blog amigo - A Espuma das Palavras - do meu amigo José Augusto,
e apropriei-me deste texto que aqui vos trago hoje, último dia de Agosto...
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Ao mesmo tempo anuncio-vos o meu regressooooooooo...
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AGUARDEM-ME NOS VOSSOS BLOGS!!!!
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As Duas Damas
Uma disse: "Anuncio mais um caso de gripe A em Alguidares de baixo"... E lavou as imaculadas mãos na torneirinha da escola. Outra declamou:"Anuncio a descida drástica do insucesso escolar"... E lavou as puras mãos na torneirinha da escola. Uma disse:"O Serviço Nacional de Saúde está na mesma, o que significa que está melhor"... e voltou a lavar as doces mãos na torneirinha da escola. Outra decretou:"O concurso dos professores é mais um grande sucesso que a mim é devido, passo a imodéstia»... e lavou as translúcidas mãos na torneirinha da escola. As funcionárias olhavam directamente para as câmaras das televisões. Os secretários de estado olhavam directamente para as damas com veneração e auto-estima. Os professores olhavam directamente para a senhora directora. A senhora directora olhava directamente para a torneirinha da escola. As crianças olhavam para as pequeninas mãos. O país olhava para o infinito, onde talvez uma grande torneira escoasse leite e mel em abundância. . José Augusto Nozes Pires,
em A Espuma das Palavras, um blog que recomendo a todos os amigos.
http://aespumadaspalavras.blogspot.com/
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24 de agosto de 2009

E hoje?

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Sabe-se lá por que me lembrei disto!!!
Deve ser do calor....
Mas sabem que era assim em 1972? . E HOJE?
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Como no Reino só havia
1 -Único Mestre que tudo podia e tudo o mandava, cada dê-erre pretendia enganar os outros fingindo que era o mais importante logo a seguir ao Chefe.
Daí o conhecido estribilho . O EXCELENTÍSSIMO NÃO SABE COM QUEM ESTÁ A FALAR . que se ouvia frequentemente nas cenas de rua da Comarca dos Doutores. Filhos e netos de camponeses que enriqueceram, enriqueforam e que em ricos serão sempre camponeses por mais que disfarcem, estes exemplares caracterizavam-se por possuirem hábitos sedentários, preferindo as áreas das secretarias de outras de clima acentuadamente burocrático onde a vida decorre nos ciclos naturais da chuva e dos impostos. Deslocava-se com solenidade difusa, à custa dos seus canudos de bacharéis que utilizavam como membrana extensora do aparelho bucal e do abdómen ou com apêndice perfurador para abrir caminhos subterrâneos no planeta dos decretos. Hoje está históricamente provado que os dê-erres eram dotados de grande instinto gregário. Se bem que desvairados na voracidade, davam provas de apreciável sentido colectivo na luta contra a maioria dos mexilhões, dominando-os pelo cantar gargarejado com manobra de ponto e vírgula.
Assinavam com DR., sempre com DR., fizesse sol ou tempestade. Transformaram essa marca no entre-parênteses dos seu nomes e não podiam dispensá-la ao telefone, na voz, na família e nas iniciais do pijama.[...] Excerto de "Dinossauro Excelentíssimo" de José Cardoso Pires (1972)
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18 de agosto de 2009

No calor de Agosto...Memórias!

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Ilha da Inhaca - Moçambique
Com o mar e o céu ao sul
absorta e distante me quedo em silêncio numa bebedeira de azul. sentimentos de paz, tranquilidade, olhar vazio... para lembrar num instante tempos vividos, momentos inolvidáveis, cidades, países, memórias notáveis... e vem uma saudade doce, uma vontade de voltar, um desejo de reviver... enquanto repousa, meigo e calmo, o meu olhar no céu...ao sul ao longe...ao mar...
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10 de agosto de 2009

"Então é assim..."

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Velho, de Ema Berta
Os meus contemporâneos falam muito
e dizem: «Então é assim»,
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.
Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios, onde às escurass
e vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o cafés
em cafeína e sobretudo
o amor sem amor, pra conservarem
o equilíbrio físico e mental. Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,
a ser livre, saudável e feliz:
proibem o tabaco e o açúcar
e se por vezes sofrem, tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos
de segurança, pra que um dia possam
sentir que morrem cheios de saúde.
Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
«tropeço de ternura», queria ser
pelo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito dos lábios,
a labareda vã das gargalhadas
pela madrugada fora. No entanto, assedia-me a acédia de ficar
assim, mais preguiçoso do que um Oblomov
à escala portuguesa — ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o «espírito
do tempo» em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação «save»
e assim alcançarem a eternidade. (in Poesia Reunida, 1990-2000)
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Fernando Pinto do Amaral nasceu em Lisboa em 1960. Frequentou a Faculdade de Medicina, mas abandonou o curso, vindo a licenciar-se em Línguas e Literaturas Modernas, concluindo o Mestrado e o Doutoramento em Literatura Portuguesa.
É Professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa. Publicou, desde 1990, cinco livros de poesia, dois volumes de ensaio e traduziu poemas de Baudelaire, Verlaine, Jorge Luis Borges e Gabriela Mistral. Prefaciou edições de poesia de Camões, Bocage, Antero de Quental, Cesário Verde, Ruy Cinatti, Tomaz Kim e Luís Miguel Nava, entre outros.
Alguns dos seus poemas estão traduzidos e publicados em espanhol, francês, neerlandês, alemão, checo, inglês, búlgaro e turco.
Em 1990 publicou o seu primeiro livro de poesia, "Acédia", a que se seguiram "A Escada de Jacob" (1993), "Às Cegas" (1997) e "Poesia Reunida 1990-2000".
De entre os seus ensaios destaque-se "O Mosaico Fluido - Modernidade e Pós-modernidade na Poesia Portuguesa mais Recente" (1991).
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