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14 de maio de 2009

Ah! Quem me dera outros Maios...

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Este post é a minha singela e florida homenagem a um Poeta e Amigo do Recalcitrante
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Espero que gostem do poema...
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Quanto às buganvílias... são para quem delas gostar, como eu.
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Maios quentes de flores de pinho e giesta...
Ah! Quem me dera outros maios...
maios de rosas-de-porcelana,
de buganvílias em flor bordejando a avenida.
Maios de calores tépidos, anunciando cacimbos de junho.
Ah! Quem dera outros maios, outras rosas, outros cheiros,
outro tempo-areal-vento,
outro mar, outro sol, um grande girassol florido
numa sangrenta verbena amarela
derramada pela avenida em espreguiçado declínio... Namibiano Ferreira
"Nasci em Angola no Deserto do Namibe. A cidade de Tombwa (Porto Alexandre) foi meu berço dunar e desde logo se estabeleceu um pacto mágico e anímico entre mim, o Povo e o Namibe. Anos volvidos foi no nome da terra que encontrei o meu nome de poeta: Namibiano, pseudónimo de João José Ferreira. Eu sou alguém que tem pudor que lhe chamem poeta, porque dias há que me sinto aquém dos limbos oníricos da poesia. E serei verdadeiramente um Poeta? Desde que me lembro sempre senti a leveza da poesia a latejar dentro de mim, por volta dos 17 anos comecei a escrevê-la. Não faço nem forço, creio que a poesia me acontece, eu fico só esperando... e a cada dia de sol que dorme e acorda fico esperando aquele poema cativo algures num pedaço rendado sem tempo... a Poesia não se faz: ACONTECE. Não tenho obra publicada, participei em 2 colectâneas de poesia: Exposicão em Movimento dos participantes na Eispoesia99, Vila do Conde, publicado pela A Mar Arte de Coimbra a outra, Resist(ir) Assim, foi publicada em 2000 pela Editorial Minerva de Lisboa. Tenho 4 conjuntos de poemas a quererem ser livros: Rota do Sul, Sensações de Maresia, No Vento e no Tempo e Fragmensias." [Namibiano Ferreira]
. Poesia de Namibiano Ferreira http://poesiangolana.blogspot.com/
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13 de maio de 2009

Falando de Amizade

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As AMIGAS acima mencionadas, num gesto de carinho, resolveram atribuir a este blog o selo
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"ESTE BLOG PROMOVE A AMIZADE, INVESTE NA INFORMAÇÃO"
. Como o que me move neste meio é um sentimento de Amizade e Solidariedade,
e nunca a inveja, o exibicionismo ou a competição.
é com muita gratidão e orgulho que o recebo, mais que um prémio, é um mimo.
Para vós, Amigas, o meu
BEM HAJA!
«««o»»»
. E, quebrando as regras, ofereço este selo a todos os amigos que constam da minha lista de blogs. .
com toda a amizade . . .

8 de maio de 2009

No mundo há muitas armadilhas

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. No mundo há muitas armadilhas e o que é armadilha pode ser refúgio e o que é refúgio pode ser armadilha Tua janela por exemplo aberta para o céu e uma estrela a te dizer que o homem é nada ou a manhã espumando na praia a bater antes de Cabral, antes de Tróia (há quatro séculos Tomás Bequimão tomou a cidade, criou uma milícia popular e depois foi traído, preso, enforcado) No mundo há muitas armadilhas e muitas bocas a te dizer que a vida é pouca que a vida é louca E por que não a Bomba? te perguntam. Por que não a Bomba para acabar com tudo, já que a vida é louca? Contudo, olhas o teu filho, o bichinho que não sabe que afoito se entranha à vida e quer a vida e busca o sol, a bola, fascinado vê o avião e indaga e indaga A vida é pouca a vida é louca mas não há senão ela. E não te mataste, essa é a verdade. Estás preso à vida como numa jaula. Estamos todos presos nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver de fora e nos dizer: é azul. E já o sabíamos, tanto que não te mataste e não vais te matar e agüentarás até o fim. O certo é que nesta jaula há os que têm e os que não têm há os que têm tanto que sozinhos poderiam alimentar a cidade e os que não têm nem para o almoço de hoje A estrela mente o mar sofisma. De fato, o homem está preso à vida e precisa viver o homem tem fome e precisa comer o homem tem filhos e precisa criá-los Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las Ferreira Gullar . . .

4 de maio de 2009

Lembrando José Gomes Ferreira

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Serenade, de Cecily Brown

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Vai-te, Poesia!
Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
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Quero gritar!
José Gomes Ferreira
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1 de maio de 2009

OS ESTATUTOS DO HOMEM

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Thiago de Mello
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OS ESTATUTOS DO HOMEM
(ATO INSTITUCIONAL PERMANENTE) .
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. Artigo I
. Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
. Artigo II . Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
. Artigo III
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decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. . Artigo IV
. Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu
. Parágrafo único:
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O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
. Artigo V
. Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
. Artigo VI
. Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
. Artigo VII
. Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
. Artigo VIII
. Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
. Artigo IX
. Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
. Artigo X
. Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
. Artigo XI
. Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
. Artigo XII
. Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
. Parágrafo único:
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Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
. Artigo XIII
. Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
. Artigo Final
. Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Thiago de Mello
Santiago do Chile, Abril de 1964