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8 de fevereiro de 2009

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Meus amigos
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Pois é... cansei!
Mandei a antiga operadora às urtigas e fiz um contrato com uma outra...
Espero ter acesso à net muito em breve.
Peço-vos que me perdoem não vos visitar mas é só ao domingo,ao fim da tarde,que tenho possibilidades de vir aqui dar-vos conta de mim...
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E como não vale a pena continuar com stress, aqui vos deixo uma tela adequada e um texto que - espero - vos deixe muito bem dispostos.
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Um abraço e saudades da vossa
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Meg
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Bonheur de Vivre, de Matisse
O homem trocado
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O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome?
Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
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Luis Fernando Veríssimo
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Luis Fernando Veríssimo (Porto Alegre, 26 de setembro de 1936) é um escritor brasileiro.
Mais conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Veríssimo é também cartoonista e tradutor, além de argumentia de televisão, autor de teatro e romancista.
Já foi publicitário e copy desk de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos.
Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos.
É filho do também escritor Érico Veríssimo.
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1 de fevereiro de 2009

Uma palavra de Amizade


MEUS AMIGOS,
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É ASSIM QUE ME SINTO...
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QUASE HÁ UM MÊS SEM INTERNET E SEM SABER QUANDO A TEREI DISPONÍVEL NO APARTAMENTO PARA ONDE ME MUDEI RECENTEMENTE!
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INACREDITÁVEL, NÃO É?
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QUERO AGRADECER A TODOS OS QUE POR AQUI TÊM PASSADO E DEIXADO, OU NÃO,
OS SEUS COMENTÁRIOS, A CUJA LEITURA ACEDO PELO TELEMÓVEL.
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O VOSSO CARINHO RECONFORTA-ME DESTA AUSÊNCIA TÃO PROLONGADA.
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BEM HAJAM!
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HOJE ESTOU EM CASA DA MINHA FILHA A DEIXAR-VOS ESTAS PALAVRAS E A DAR-VOS CONTA DO MEU ESTADO DE ESPÍRITO...
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ESTUPEFACÇÃO E REVOLTA!
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NÃO TENHO TEMPO PARA VOS VISITAR AINDA HOJE MAS, LOGO QUE A SITUAÇÃO ESTIVER SUPERADA, VOLTAREI AO VOSSO CONVÍVIO...QUE TANTA FALTA ME FAZ!
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ESPERO ESTAR CONVOSCO O MAIS BREVE POSSÍVEL... LOGO QUE A OPERADORA - QUE MAIS PARECE DO TERCEIRO MUNDO - SE DIGNE FINALIZAR O PROCESSO (TÃO COMPLICADO?!?!?!?) DE MUDANÇA DE RESIDÊNCIA.
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UM ABRAÇO PARA TODOS... E ATÉ BREVE
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MEG
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11 de janeiro de 2009

Companheiros

Meus amigos...
Vou estar ausente durante algum tempo...
estou a mudar de casa e enquanto não tiver net no novo apartamento,
não poderei acompanhar-vos.
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Espero que esta pausa seja breve - poucas semanas -
e que não me esqueçam!
Um abraço para todos
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Meg
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Deixo-vos com Mia Couto
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Companheiros
quero escrever-me de homens quero calçar-me de terra quero ser a estrada marinha que prossegue depois do último caminho e quando ficar sem mim não terei escrito senão por vós irmãos de um sonho por vós que não sereis derrotados deixo a paciência dos rios a idade dos livros mas não lego mapa nem bússola porque andei sempre sobre meus pés e doeu-me às vezes viver hei-de inventar um verso que vos faça justiça por ora basta-me o arco-íris em que vos sonho basta-me saber que morreis demasiado por viverdes de menos mas que permaneceis sem preço companheiros .
. Mia Couto . . . «««««o»»»»» . . .

7 de janeiro de 2009

Como uma espada fresca

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Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso. Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
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«««o»»»
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2 de janeiro de 2009

Elogio da Dialéctica


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Acabamos de entrar num novo ano, mas... apesar dos discursos,
convém que não nos esqueçamos
e que não deixemos de reflectir...
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A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são!
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca!
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga?
De nós.
De quem depende que ela acabe?
Também de nós.
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, como pode calar-se?
E o nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã
[Bertold Brecht]