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MENSAGEM AOS AMIGOS
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POR MOTIVOS PROFISSIONAIS ALIADOS À ÉPOCA ALTA DE TURISMO,
O MEU TEMPO DISPONÍVEL DIMINUIU SIGNIFICATIVAMENTE
A PARTIR DO DIA 10 DE JUNHO ATÉ 15 DE SETEMBRO
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William Turner.
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Entrei em Londres
num café manhoso (não é só entre nós
que há cafés manhosos, os ingleses também,
e eles até tiveram mais coisas, agora
é só a Escócia e parte da Irlanda e aquelas
ilhotazitas, mais adiante)
Entrei em Londres
num café manhoso, pior ainda que um nosso bar
de praia (isto é só para quem não sabe
fazer uma pequena ideia do que eles por lá têm), era
mesmo muito manhoso,
não é que fosse mal intencionado, era manhoso
na nossa gíria, muito cheio de tapumes e de cozinha
suja. Muito rasca.
Claro que os meus preconceitos todos
de mulher me vieram ao de cima, porque o café
só tinha homens a comer bacon e ovos e tomate
(se fosse em Portugal era sandes de queijo),
mas pensei: Estou em Londres, estou
sozinha, quero lá saber dos homens, os ingleses
até nem se metem como os nossos,
e por aí fora...
E lá entrei no café manhoso, de árvore
de plástico ao canto.
Foi só depois de entrar que vi uma mulher
sentada a ler uma coisa qualquer. E senti-me
mais forte, não sei porquê, mas senti-me mais forte.
Era uma tribo de vinte e três homens e ela sozinha e
depois eu
Lá pedi o café, que não era nada mau
para café manhoso como aquele e o homem
que me serviu disse: There you are, love.
Apeteceu-me responder: I’m not your bloody love ou
Go to hell ou qualquer coisa assim, mas depois
pensei: Já lhes está tão entranhado
nas culturas e a intenção não era má, e também
vou-me embora daqui a pouco, tenho avião
quero lá saber
E paguei o café, que não era nada mau,
e fiquei um bocado assim a olhar à minha volta
a ver a tribo toda a comer ovos e presunto
e depois vi as horas e pensei que o táxi
estava a chegar e eu tinha que sair.
E quando me ia levantar, a mulher sorriu
Como quem diz: That’s it
e olhou assim à sua volta para o presunto
e os ovos e os homens todos a comer
e eu senti-me mais forte, não sei porquê,
mas senti-me mais forte
e pensei que afinal não interessa Londres ou nós,
que em toda a parte
as mesmas coisas são
Ana Luísa Amaral, «Lugares Comuns»,
in Coisas de partir,Gótica
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Ana Luísa Amaral venceu em 1 de Junho de 2008
O Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE)
que foi atribuído ao livro "Entre dois rios e outras noites" .
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Nasceu em 1956, em Lisboa.
Aos nove anos, mudou-se, por vontade alheia, de Sintra para terras do Norte (Leça da Palmeira) (…)
Frequentou a Faculdade de Letras do Porto, tendo-se licenciado em Germânicas.
Deve ter gostado tanto da Faculdade que por lá se deixou ficar, como professora, até ao presente momento.
Por necessidade de carreira, tinha que fazer doutoramento.
E fez; sobre Emily Dickinson, cujos poemas a fascinam tanto como a fascinara o Zorro. Pelo caminho, foi publicando livros de poemas(…)
Ana Luísa Amaral, Autobiografia (1998)
Ana Luísa Amaral é professora de Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto.
Tem publicações académicas (em Portugal e no estrangeiro) nas áreas de Literatura Inglesa, Literatura Norte-Americana, Literatura Portuguesa e Literatura Comparada.
É Investigadora Associada do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
A sua poesia consta em várias antologias.
Publicou algumas obras para crianças e seis livros de poesia :
(Minha Senhora de Quê, 1990;
Coisas de artir, 1993;
Epopéias, 1994;
E Muitos os Caminhos, 1995;
Às vezes o Paraíso, Lisboa, 1998;
Imagens, 2000;
A Arte de Ser Tigre, 2003;
A Génese do Amor, 2005).
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AQUI, EM CADA POST
Por esse motivo as minhas visitas serão mais espaçadas, sempre que me seja possível, pelo menos uma vez por semana, para ler e comentar o que os meus amigos publicam.
Prometo responder a todos os comentários que tiverem o carinho de deixar