10 de abril de 2010

De volta para os amigos


Com um grande abraço a TODOS,
me aguardem...

eu...

...seguirei na esteira da minha verdade

trabalhada em palavras sentidas e autênticas,

já que, pelos atalhos da injúria

e de palavras ditas sem nexo,

simples e verdadeiras,

tento resgatar as minhas ilusões.

[...]

meg










2 de abril de 2010

PÁSCOA FELIZ, a todos...




Não vos esqueço...
e agradeço o vosso apoio e compreensão para a minha ausência.
Voltarei... talvez em breve...
Entretanto, desejo que todos tenham
UMA BOA PÁSCOA
.
Todo o meu carinho num beijo
meg
.
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25 de março de 2010

ATÉ BREVE... espero!

A TODOS os verdadeiros AMIGOS... antigos e recentes, peço um tempo.
Preciso de algum tempo para "lamber umas feridas".
Preciso também de coragem!
.
Deixo-vos o meu carinho nas "minhas canções" ... espero que gostem.
.


Espero não perder nenhum de vós, até me recuperar.
Um beijo da vossa meg
.
.
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23 de março de 2010

O prazo de validade da escola

Alexander Klevan



o prazo de validade da Escola
está fora do Um
entrego-me nas horas a polir as unhas ao Todo

o buraco da fechadura do mundo
está sujo

as empregadas
fecham as portas e marcam faltas
no supermercado onde vivo

escrevo no quadro está calada vânia
sem a metafísica do sujeito além do mais
o teorema de pitágoras foi de certeza roubado
da internet para testar a professora do armazém

deviam todos vestir a mesma bata para não se distinguir
a bélgica da alemanha da espanha e por aí fora
e também o país às terças feiras
quando toda a gente vai fazer compras
ao armazém de george orwell

as refeições continuam a ser repressivas
ninguém sabe o que come "está bem"
mas ficámos uns com os outros por causa da noção do todo

Maria Azenha

17 de março de 2010

Pergunta-me...

Soledades, de Miguel Oscar Menassa

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue


Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos


Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enovoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente


Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


Mia Couto
.
.
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14 de março de 2010

Foi há 3 anos...

A Recalcitrante comemora hoje o seu 3º aniversário 
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  Foi há 3 anos, assim... com "Alberto Caeiro"
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que teve início esta já longa caminhada...
.


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Não sei o que dizer, meus AMIGOS!  
nunca me passou pela cabeça estar aqui ao fim destes três anos...
ter tido a companhia de tantos e tão bons amigos...
os que encontrei, os que aparecerem depois...
os que desistiram entretanto...
os que chegararam mais recentemente...
.
A TODOS
O MEU GRANDE E CARINHOSO AGRADECIMENTO...
MUAHHHHH!
.
...uma fatia de bolo - vá, não sejam gulosos, cuidado com a "linha" -
e uma taça de champanhe...

TCHIM, TCHIM!

meg, a sempre recalcitrante

beijooooossssss
.
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10 de março de 2010

A FOME, de José Pádua

A Fome, de José Pádua



Em plena mudança de casa - mais uma vez...
entre livros e outras "coisitas" que me vão  acompanhando ao longo da vida...
encontrei umas serigrafias de José Pádua, um pintor moçambicano que conheci nos anos 70 na Beira... em Moçambique, claro!


Não sendo muito divulgado, resolvi deixar-vos aqui (mais uma vez) um brevíssimo, mas caloroso, testemunho da sua obra.


....E este olhar de MIA COUTO sobre a obra de José Pádua



"A pincelada breve, magra, sugerindo apenas a forma e indicando a cor.



Isso eu busco nos quadros de Pádua.


Como procuro na poesia que vive apenas de essência, depurada de excesso, sacudida de artifícios.

Eu leio a pintura de Pádua como quem olha palavras e as vê voláteis, escapando do território da página.






E me pergunto que arte é essa que não será o preencher de formas o vazio, mas o exacto oposto.



Como se houvesse um desenho inicial, uma tela cheia de formas e traços e ele, em lugar de pintar, raspasse, em vez de acrescentar, apagasse, ao invés de rendilhar, simplificasse.


Até a forma ficar assim, leve e fugaz, e
pedisse ao papel não o suporte de
fixação mas um movimento, um impulso de asa.





Nas linhas do pintor moram lugares da minha infância, os subúrbios dessa meninice, a Munhava, os meninos brincando com arcos, os pescadores esguios, as mulheres carregando água como se elas e o cântaro fossem um único desenho.


E um rio que poderia ter o nome de Púngè.
Mas que se chama tempo e vai escrevendo em nós uma caligrafia que é a saudade do tempo em que a vida não doía.


Como se a vida fosse uma tela onde a mão divina do pintor salvasse do branco esse inacabado desenho que nós somos."
 Mia Couto

~~~~o~~~~


O artista plástico José Pádua nasceu na Cidade da Beira, em 1934, e reside em Lisboa desde 1977.
Foi eleito Artista Plástico do Ano em 1966 pelo Jornal A Tribuna, de Moçambique, pelo seu trabalho enquanto pintor, decorador, ilustrador e gravador.
Entre 1974 e 1978 trabalhou exclusivamente para a Galeria de Arte R. Rennie, Harare, Zimbabwe.
De 1979 a 1981 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, frequentando cursos de gravura em metal e de litografia.
Em 1980 e 1981 foi distinguido com os 2º e 1º prémios, respectivamente, em exposições sobre temas de Lisboa. Em 2002 publicou o livro O Fascínio de Moçambique. Tem também trabalhos nos domínios da
escultura e azulejaria, bem como murais em cimento.Entre 1962 e 2003 realizou mais de trinta exposições individuais em Moçambique, Portugal, Zimbabwe, África do Sul e Suécia.
Além de ter participado em inúmeras exposições colectivas faz parte do grupo A Tertúlia de Artistas de Moçambique que expõe todos os anos, desde 1984, em vários países do mundo.
Está representado em inúmeras colecções particulares em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente na África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Moçambique, Angola, Espanha, Suécia, Áustria, Brasil, Venezuela, EUA, Canadá, Israel, Japão e Austrália.

[F.Ferreira Mendes]

5 de março de 2010

Uma voz na pedra...

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Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.



António Ramos Rosa
.
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28 de fevereiro de 2010

Os tempos estão duros - Maiakovsky


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Os tempos estão duros
para o artista.
Mas, dizei-me,
anêmicos e anões, os grandes,
onde,
em que ocasião, escolheram
uma estrada batida?
General
da força humana
- Verbo -marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás, e o vento
no passado
só desfaça um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.


 [A Serguei Iessiênin, poema de 1926]
Tradução Haroldo de Campos

22 de fevereiro de 2010

Porque me apetece poesia... diferente...

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Uma descoberta recente e... surpreendente...
Espero que gostem...
[clique na imagem para aumentar]


Perfis decadentes



Através dos vitrais
ia a luz a espreguiçar-se
em listas faiscantes,
sob as sedas orientais
de cores luxuriantes!


Sons ritmados dolentes,
num sensualismo intenso,
vibram misticismos decadentes
por entre nuvens de incenso.


Longos, esguios, estáticos,
entre as ondas vermelhas do cetim,
dois corpos esculpidos em marfim
soergueram-se nostálgicos,
sonâmbulos e enigmáticos...


Os seus perfis esfingicos,
e cálidos
estremeceram
na ânsia duma beleza pressentida,
dolorosamente pálidos!


Fitaram-se as bocas sensuais!
Os corpos subtilizados,
femininos,
entre mil cintilações
irreais,
enlaçaram-se
nos braços longos e finos!
..........
E morderam-se as bocas abrasadas,
em contorções de fúria, ensanguentadas!
..........
Foi um beijo doloroso,
a estrebuchar agonias,
nevrótico ansioso,
em estranhas epilepsias!
..........
Sedas esgarçadas,
dispersão de sons,
arco-iris de rendas
irisando tons...
..........
E ficou no ar
a vibrar
a estertorar,
encandescido,
um grito dolorido.

Judith Teixeira

Novembro - Hora das Visões
1922

Um colectivo de juízes...


Um colectivo de juízes... absolveu, esta segunda-feira, em Matosinhos, o jovem acusado de roubar um saco de amêndoas, apesar de o arguido ter admitido o seu furto. De acordo com o código penal, roubo e furto são crimes distintos, residindo a diferença no facto de existir, ou não, prática de violência, constrangimento e ameaça...
[...]


17 de fevereiro de 2010

Isto é verdade...???

Por razões profissionais, andei muito atarefada nesta última semana, não tive tempo para jornais, TVs e afins.
Não tive tempo para os amigos, para o blog, para os blogs.
E quando pensava que o Carnaval tinha acabado... ouço isto na Sic... confirmo nos jornais...
SERÁ POSSÍVEL?... pergunto eu!

Colectivo de juízes julga roubo de saco de amêndoas

De acordo com o Código de Processo Penal, compete ao tribunal colectivo (por oposição a um tribunal singular) julgar processos que digam respeito a crimes cuja pena máxima seja superior a cinco anos.
'Ganita' e 'Pistolas' estão acusados de um crime de roubo, punível com pena de prisão até oito anos.
De acordo com a acusação do Ministério Público, a que a Lusa teve acesso, a 15 de Março de 2009 um dos arguidos foi visto num supermercado a esconder na roupa um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky (que não chegou a ser apreendida).
Uma funcionária do supermercado ter-se-á apercebido da situação, solicitando ao arguido a devolução dos produtos.
O arguido terá negado a posse das amêndoas e da garrafa e atirado "violentamente" a responsável contra os expositores, enquanto o segundo arguido a ameaçava.
Na sessão de hoje, a funcionária contou ter visto 'Ganita' a esconder os dois produtos, após o que o interpelou, mas admitiu que possa ter devolvido a garrafa antes de sair da loja.
Durante as alegações finais, o próprio procurador do Ministério Público considerou terem ficado dúvidas quanto ao roubo da garrafa, "mas das amêndoas temos a certeza que foram no bolso".
Filipe Melo, advogado do arguido, salientou o "exagero" da acusação e do próprio julgamento.
"Parece que estamos a julgar um homicídio, com coletivo de juízes, quando se trata do furto de um pacote de amêndoas".
Sobre o segundo arguido não houve testemunhos da sua implicação nos factos, pelo que o advogado de defesa pediu a sua absolvição.
A leitura do acórdão ficou marcada para 22 de Fevereiro no Tribunal de Matosinhos.


Ainda dizem que a Justiça não funciona???

11 de fevereiro de 2010

Há 20 anos...Mandela e a reconciliação

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Militante mais famoso da luta contra o apartheid,
Nelson Mandela tornou-se num ícone mundial da reconciliação e do perdão
desde que foi libertado há 20 anos,
no dia 11 de fevereiro de 1990.

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“Mandela Madiba”



Prenderam-no
Humilharam-no
Encarceram-lhe o corpo
Mas não conseguiram reter-lhe a alma
Não foram capazes de retirar-lhe o amor do coração
Foram impotentes para o desmotivar
Incapazes de lhe impor ódio e raiva
Pois ele foi sempre digno…
Manteve-se firme em seus nobres desígnios
Forte em seu caminho para a liberdade
Fixo em seus objectivos para atingir a igualdade
Mostrou grande exemplo de dignidade a todos
Tornou todos iguais perante a lei
Demoliu as diferenças de direitos
Foi líder e pai de uma nova nação arco-íris
Ensinou a tolerância e a liberdade a uns e outros
Perdoou a quem o trancou e privou do Mundo exterior…
Transformou a terra comum em esperança e justiça
Abriu as paredes e o arame farpado à democracia
Abraçou a todos sem distinção de cor ou poder
Cantou um novo hino da alegria de uma pátria renascida
Celebrou o início de uma nova era da humanidade
Deixou que a festa fosse dançada em espírito de paz nacional
Deu as mãos a todos os seus compatriotas e juntou-se-lhes
Criando uma nova nação movida pela unidade
Ele é um herói e pertence agora a todos nós…



Viva para sempre em nossos peitos o Madiba…da África…Livre

Manuel de Sousa
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7 de fevereiro de 2010

Quem diria!!!





Saber viver é vender a alma ao diabo



Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
((Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?»)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.


Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.


Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»


(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)


Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...


Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?


Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!


Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.


Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!


E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...


Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra
morrer?


Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!


Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...


Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do
trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!


Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...



Alexandre O´Neill
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4 de fevereiro de 2010

Ah...não me tragam jornais !


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Comunikação

Ah , não me tragam jornais !
nem discursos nem notícias !
nem ciências d’empilhar astros !
Sou filha de todo o mundo
e escrevo versos de rastos !
......
E do Espaço comuniko ,
no Espaço digo a meu Pai :

Tempo nublado no Mundo !
Buenos Aires ,
nenhuma Consolação
Rio ,
1992 , Mar de Junho ,
Nova Iorque ,
Ladrão .

Europa!
Sábado!
Domingo !
A Grande e Monumental Prisão
no almofariz-atómico da Terra!

No Espaço comuniko :
digo pobre ,
digo rico ,
a calça negra do PIB
o quark
o IP : ou seja :
o índice de Poluição ,
o Buraco-Negro ,
a crise do Relâmpago ,
a chuva na Jugoslávia ,
IELTSIN ,
os sete países mais ricos ,

milhares de hectares produzidos
por novos escravos
em novo estilo marquês-de-sade ,

Projectado em iates ,
onde cromossomas azuis de fino trato
são exportados diariamente
para a Produção
para a Perfeição-Extrema-do-Corpo ,
para todas as Ideologias de Conforto ,
para os eclipses ,
para o Morto ,
para a Notre-Dame-da-Vida ,
para o Catolicismo-do-Ozono ,
para a Comunicabilidade diária ,
para o Esgoto .

para quem sabe no governo traficar
um Kilo de Cocaína ,
um metro de papoilas ,
um carro ,
uma camioneta de moscas ,
um camião de políticos ,
doze facadas , embriões humanos in vitro ,
uma colecção de narcóticos ,
um tubo de ensaio de Gritos ,
homens e mulheres irreconhecíveis
e ainda
um museu de Presos trucidados
enquanto uma Laranja adormecida
se penteava .

tudo isto participa
dum meti-cu-lo-sí-ssimo Plano !
tudo isto é o Grande Circo da Propriedade Humana !
tudo isto funciona como um Carnaval avariado
pela Esfinge do Caos ,
pelo código das Esculturas da Noite
que em nome da Santa-Fome
em nome de todo o globo ,

vão construindo

milhões de dormitórios para não-haver-sono ,
supermercados para o Consumidor ,
hipermercados para o Hiperconsumidor ,
cartões de Crédito para o Devedor,

Sistemas telefónicos internos
Para
CO
MU-
NI
KAR nenhum fogo
avenidas –sem-ruído para não-ser amor
professores para o não-pensador ,
computadores
para CO
MUNI-
KAR

e no centro do globo ,
a Consciência
Cósmica sem ter um lugar !

E ainda ,
num raio de 70 metros aproximadamente
todas as ruas arborizadas milimetricamente
com
moscas voadoras,
árvores de plástico,
varejeiras,
flores,
e
as montanhas
não vão aumentar de preço !

a cada mugido de uma vaca
é logo separada a Cria !

e tudo isto ,
pela cor-verde-mar
dos pecados de Roma
e
das Flores putrefactas.
Tudo isto como um jogo de Deus e do Diabo
num supermercado vazio !
Tudo isto porque Adão e Eva
não conhecem a Poesia de Vanguarda !

Em minha opinião
os Donos do Mundo e os seus Revendedores
alcançaram a graça recebida
pelo espírito do Lodo
no plano astral da Vida .

mas eu digo :
Nós não somos Gado !
Nós somos Criadores !
e por tal motivo ,
em vez de Pássaros e Ruídos ,
traremos para a Conferência do Mundo
o chão varrido pelos lábios destes Senhores ,
e em nome do Cosmos ,
em nome da essência do Homem ,
da nova Atlântida do mundo ,
semearemos acácias
no
ventre dos meninos !

Folhearemos mais tarde
o
Álbum da Terra
e
os cinco continentes de ouro
serão
to-
dos
UM !
 
Maria Azenha
.
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31 de janeiro de 2010

Esse Desemprego!

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Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
toda a oportunidade
de discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade,
dizer que é inexplicável
pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
para nós é imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
pois seria mais que temível
permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
só nos pode convir
Esta opinião: o problema
assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: o nosso desemprego
não será solucionado
enquanto os senhores não
ficarem desempregados!
Bertolt Brecht

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27 de janeiro de 2010

Divagando sobre argumentos...

"...Tudo o que o homem faz tem de o fazer primeiro no seu espírito, e o mecanismo subjacente ao espírito é o cérebro. Não pode haver acção sem um mecanismo subjacente, e um mecanismo só pode fazer o que a sua estrutura lhe permite que faça. Uma vaca nunca poderia pôr um ovo, por muito que tentasse; um gira-discos não poderia escrever uma carta, nem uma máquina de escrever poderia tocar música. Também o homem só pode fazer o que o seu cérebro lhe permite que faça.
....É um órgão de sobrevivência.


A actividade humana é motivada pela necessidade ou pelo desejo, e o cérebro é o instrumento da satisfação humana.


Nas sociedades primitivas, o cérebro deve ter-se limitado a isso. Nas sociedades mais sofisticadas, o cérebro adquiriu uma segunda função: encontrar argumentos, na maioria pomposos e bem soantes, para justificar actos ou desejos. Isso faz o nosso cérebro tão rapidamente que até acreditamos que os nossos actos são realmente motivados por esses argumentos.


Ao falar de argumentos, há um ponto que deve ficar bem claro: eles não têm verdadeiro significado. Consistem em palavras, e as palavras podem ser alinhadas de muitas formas.

Todos conhecemos o passatempo favorito de Sócrates:
"Diz-me qualquer coisa, e eu provarei que é falso; depois diz-me o contrário, e eu provarei que é falso também."

Albert Szent-Gyorgyi
in O Macaco Louco
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