«Eu levo a minha poesia muito a sério.
Para mim é uma questão de vida ou de morte.»

A Bela Acordada
"Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia como bonita,
as pessoas diziam-lhe:-
Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.
E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.
A mulher pediu a Deus:
- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para sempre.
Então Deus fê-la feia.
A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar com caroços de azeitona
e a ouvir coisas feias.
Só os animais gostavam sempre dela,
tanto quando era bonita como quando era feia
como agora que era sempre feia.
Mas o amor dos animais não lhe chegava.
Por isso deitou-se a um poço.
No poço, estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a mastigar.
a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que pescou o peixe.
cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,
descobriram a mulher dentro do peixe.
o peixe comeu a mulher mal a mulher se matou,
e o criado pescou o peixe mal o peixe comeu a mulher,
e as criadas abriram o peixe mal o peixe foi pescado pelo criado,
a mulher não morreu e o peixe morreu.
As criadas e o rei eram muito bonitos.
E a mulher ali era tão feia que não era feia.
Por isso, quando as criadas foram chamar o rei
e o rei entrou na cozinha e viu a mulher,
o rei apaixonou-se pela mulher.
- Será uma sereia ?
perguntaram em coro as criadas ao rei.
- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas,
muito tortas, uma mais curta do que a outra ,
respondeu o rei às criadas.
E o rei convidou a mulher para jantar.
Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe.
O rei disse à mulher quando as criadas se foram embora:
- Eu amo-te.
Quando o rei disse isto, sorriu à mulher,
e atirou-lhe com uma azeitona inteira à cabeça.
A mulher apanhou a azeitona e comeu-a.
Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:
- Eu amo-te.
Depois comeu a azeitona.
E casaram-se logo a seguir no tapete de Arraiolos da casa de jantar."
Adília Lopes
in Obra, Lisboa, 2001
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Adília Lopes e Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira são uma e a mesma pessoa. São eu. Como uma papoila é poppy. E muitos outros nomes que eu não sei.
A Adília Lopes é água no estado gasoso, a Maria José é a mesma água no estado sólido.
Eu sou uma mulher, sou portuguesa, sou lisboeta, sou poetisa, sou linguista (todos somos), dizem que o meu estilo, aparentemente coloquial e naïf ,está repleto de jogos fonéticos, associações livres, rimas infantis e idiomas estrangeiros.
Dizem que trato os temas do quotidiano, principalmente femininos e domésticos, com humor e auto-ironia, candura e crueza, inteligência e intencionalidade.
Sou física, sou bibliotecária, sou documentalista, sou míope, nasci a 20 de Abril de 1960, sou solteira, não tenho filhos, sou católica, tenho os olhos castanhos, meço 1,56 neste momento peso 80 Kg, uso o cabelo curto desde 1981, o cabelo é castanho escuro com muitos cabelos brancos


